A semana passada tive uma conversa com a minha sogra sobre o maravilhoso mundo dos lençóis térmicos, mas como, a bem da verdade, não sinto muita falta e tenho lençóis com fartura - além de que odeio acumular tralhas -, a conversa ficou por ali.
Nem de propósito, dias depois, ao deitar Baby Caco, assim que pousa a cara na almofada, diz: "Tá fia, mamã!". Claro está que, naquele momento, era bem capaz de fazer malabarismo com massas de fogo, se essa fosse a única forma possível de aumentar a temperatura. Mas como tinha o robe dele ali ao lado, cobri a almofada com ele. No segundo seguinte, senti-me a pior mãe do mundo, no outro segundo a seguir, achei que estava a exagerar, e no minuto que se seguiu, meti na cabeça que a prioridade da minha vida era comprar uns lençóis térmicos.
Comentei com a minha empregada e ela disse-me que havia um feirante que tinha uns muito bons e que estava de manhã junto ao mercado. No sábado, lá fui eu. Cheguei um pouco tarde, já estava o homem a arrumar a parafernália de edredons, atoalhados e afins na carrinha, mas ainda a tempo de perguntar pelos ditos lençóis. Disse-me que tinha uns mais finos, a dez euros, outros mais grossos, a quinze, e ainda uns, que eram a novidade do momento, um pouco mais caros.
Apontou para os mostrar, mas eu torci o nariz porque aquilo parecia-me tecido de toalha de praia e desvalorizei. Quando começo a pedir-lhe para me mostrar os padrões dos térmicos, cruz credo, uma desgraça. Cada um mais foleiro do que o outro. Quase ao nível dos padrões que desfilaram pela festa de aniversário da TVI , mas para pior.
No meio daquela miséria franciscana, dei com um com uns mochos coloridos, uma coisa meia infantilóide, mas que comparado com o resto, pareceu-me que cumpria os mínimos. A verdade é que aquela minha indecisão também não podia durar muito, não só porque o homem já não tinha tempo para me aturar, mas sobretudo porque, no entretanto, Baby Caco ia alternando entre enfiar a cabeça debaixo da roda da viatura, ou puxar o rabo ao cão carregado de pulgas que estava à entrada da peixaria.
É nesta altura que o homem diz que esse lençol era dos tais "novos", a célebre "novidade do momento, anti-alérgico, anti-fúngico" e mais uns "antis" quaisquer que davam ar de ser alguma coisa de jeito. Para minha surpresa, reparo que eram feitos daquele tecido muito fofinho, igual ao das mantinhas dos bebés, estão a ver? Aquele que parece os robes da Primark e que, além de secar muito depressa, fica sempre com ar de novo, ao contrário dos térmicos que - segundo dizem - ganham borbotagem até dizer chega.
Bom, Baby Caco escolheu uns cinzentos, da mesma cor do quarto, bem mais sóbrios do que a bonecada dos mochos e, meus amigos, posso adiantar-vos que existe um ALT (Antes dos Lençóis Térmicos) e um DLT (Depois dos Lençóis Térmicos).
A verdade é que, agora, quando vai para a cama, diz que vai para os "uençóis quentinhos" e eu sinto-me outra vez a Melhor Mãe do Mundo, a achar, convictamente, que estes foram os 25 euros mais bem aplicados de todo o sempre. Estes e aqueles que investi nos boyfriend jeans que me ficam a matar, mas que, como eram para mim, se calhar não conta, né?


































