terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Ao meu menino de amor.

 
 
Procrastinei até mais não poder. Ponderei, adiei, pensei, repensei e voltei a ponderar e a adiar outra vez. Aquilo de ser "uma decisão para a vida" afundava-me numa enxurrada de dúvidas e inseguranças que acabavam por me tolher. Sempre soube que, um dia, ía acabar por me decidir, mas, preferencialmente, o mais tarde possível. Quando já não houvesse volta a dar.

Nunca fui de achar graça a estas decisões irreversíveis. Sempre fugi delas o mais que pude e esta não foi excepção. Até que um dia, achei que não havia mais por onde esticar. E os risquinhos vieram. Olhei duas vezes ou três para me certificar de que estavam mesmo lá. E voltei a confirmar na caixa do teste, não fosse estar a contar mal os traços que significavam positivo. Nessa noite mal dormi e nas restantes foi mais ou menos a mesma coisa.
 
Tive uma gravidez tranquila, sem grandes enjoos, não engordei muito, alguns dias de azia, dores de costas, mas pouco mais. Quanto às insónias, essas acompanharam-me até ao fim. Não cabia em mim de tanta ansiedade. Não fui daquelas grávidas que se perdiam de amores a idolatrar as ecografias, não passava horas a pesquisar o enxoval, nem fazia festinhas na barriga a todo o momento. Olhava para tudo com um olhar clínico e a minha principal preocupação era saber se estavas a crescer bem e saudável.
 
Quando, já no limite da gravidez, me perguntavam se estava ansiosa pelo grande dia, respondia que não, num misto de medo e insegurança pelo que aí vinha. Medo provocado pelo pavor absoluto das dores  de parto, mas um medo ainda maior pela mudança que se avizinhava. Estaria preparada? Seria capaz de tamanha responsabilidade?
 
O dia do parto foi marcado e fui praticamente de directa. Então mas querem ver que é suposto deitar-me descansadinha sabendo que amanhã, a esta hora, tenho uma criatura nos meus braços, totalmente dependente de mim? Mas como é que um ser humano, lúcido, pode, sequer, pensar em adormecer, face à enormidade desta missão? Então, mas 9 meses não serviram para me apaziguar e habituar à ideia? Não.
 
Depois de um dia em trabalho de parto, nasceste pelas 19h00, numa cesariana que, para quem não sabe qual é a sensação, é mais ou menos como se nos metessem um aspirador dentro da barriga e andassem por ali a sugar todos os recantos.

Lembro-me dos teus pezinhos roxos, encurrilhados, e de me encostarem o teu rosto pequenino ao meu. Estava morno e era macio como veludo. Naquele momento, não vou dizer que estava descontraída, a explodir de felicidade. Não. Tinha as emoções à flor da pele, é certo, mas só queria saber se estavas bem, se tinhas tudo no sítio, se eras um bebé saudável.
 
O que se seguiu foi uma mistura de cansaço, com uma quebra de adrenalina e  uma descompressão radical que me deixaram de rastos. Muitas visitas no quarto, um entra e sai de enfermeiras e um turbilhão de emoções que me fizeram sentir a flutuar no meio daquela azáfama generalizada.
 
Ao fim do dia, deixaram-te na caminha ao meu lado. A mesma caminha para a qual olhei vezes sem conta, assim que entrei no quarto do hospital, e onde imaginei, mil e uma vezes, que dentro de poucas horas estaria lá dentro um bebé. O MEU bebé. Como se precisasse de me convencer que ia mesmo conhecer-te naquele dia. E que impossível aquilo parecia, apesar de tão evidente.
 
Foi nessa mesma noite, há precisamente um ano, que nos deixaram sozinhos pela primeira vez. E no momento em que os teus olhinhos pararam nos meus, percebi que já não havia nada a fazer. O encantamento era total, absoluto e demasiado esmagador para me assegurar que aquele sentimento desmedido não iria nunca parar de crescer.

Percebi que não havia razão para ter medo. Daquele dia em diante, tinha comigo o maior, o mais puro e precioso Amor do mundo.

Hoje, a esta distância, reconheço que talvez tenhas vindo um pouco tarde, mas prometo passar o resto dos meus dias a amar-te como se não houvesse amanhã.

Parabéns, meu menino de amor.

11 comentários:

  1. Adorei. Muito lindo, estás de parabéns pela forma especial como descreves tudo. Desejo-vos toda a sorte do mundo!

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  2. Parabéns! Fizeste-me chorar! Um beijo enorme, Sofia

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  3. Já deu para chorar! Lindo texto e lindo amor! Parabéns! E que esse amor cresça com o bébé! Beijinho

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  4. Parabéns ao baby Caquinho e à Miss Caco por este dia tão especial.

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  5. Muitos parabéns a esse príncipe.
    Muitos parabéns à mamã.
    Adorei o texto! Adorei cada frase que escreveste.
    Porque, também , o reconheço tanto de mim, de nós.
    Um beijo enorme.
    Que sejam sempre muito felizes!

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  6. Palavras lindas e sentidas;)
    Parabéns ao príncipe!

    http://Styleloveandsushi.blogspot.com

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  7. Li atentamente cada palavra tua e senti um imenso amor entre vocês os dois. É uma coisa única ser mãe. Não deve haver palavras suficientes para exprimir a sensação.

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  8. Parabéns! Eu fui um pouco como tu, a incerteza se queria mesmo ser mãe, se agora ou mais tarde. Fui-o a fazer quase 38 anos e o que senti todos os dias em que o fui e sou é mais forte que tudo o que já vivi e senti. Quero repetir mais 1 vez, pelo menos ;)

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  9. Obrigada pelo carinho das vossas mensagens :-)

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  10. Lindo... Parabéns para o nosso príncipe!! :*

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  11. Lindo... Parabéns ao nosso príncipe!!!

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