sexta-feira, 19 de outubro de 2018

A Mulher mais Corajosa da minha Vida. E do mundo, em geral.


Esta Senhora é a mulher mais corajosa que conheço e que tenho a sorte de ser minha Tia.

A minha Tia vive numa aldeia no norte do país e foi cuidadora grande parte da vida. Tomou conta de um tio até este falecer, cuidou da minha avó durante os vários anos que esteve acamada, cuidou do meu avô, até este partir com a bonita idade de 101 anos, cuidou do marido e, agora, depois de tantos anos a cuidar dos outros, vive sozinha e cuida de si.

No meio de tudo isto, Deus deve ter-se distraído por momentos, e permitiu que perdesse um filho com vinte e poucos anos. Não imagino o que seja perder tanta gente importante na nossa vida e continuar de pé, a ter força para se levantar todos os dias, para fazer refeições - ainda que só para ela -, para tratar da casa, para continuar a viver com garra e determinação num espaço que já partilhou com tanta gente e que agora está praticamente vazio. Agora é ela, a gata Kikinha e o cão Boneco.

A minha tia é uma mulher corajosa, muito trabalhadora, cheia de vida, um exemplo notável de resiliência, em quem eu penso sempre que me vou abaixo.

Tratou de mim quando eu era criança, numa altura em que os meus pais tiveram de ficar ausentes, noutro país. Lembro-me de que, no inverno, me aquecia as botas no fogão a lenha, comigo sentada ao seu colo, e de ir com ela ao leite pela rua da aldeia.

A minha tia tem 82 anos. Acorda muito cedo e entretém-se a tratar da casa e com tarefas no campo. Sabe fazer alheiras, broa, rissóis, bola de carne, plantar tomates, tirar o leite às vacas, sabe as alturas do ano em que se fazem sementeiras, sabe vindimar, sabe costurar, sabe rachar lenha, sabe podar, sabe tratar de animais, sabe como se arrancam as folhas das couves, e, sobretudo, sabe fintar a dor. E eu gostava muito de saber fintar a dor tão bem como ela.

Quando lhe ligo, diz-me que a aldeia está cada vez mais deserta, que tem dias que quase não fala com ninguém. Costuma ir passar o serão a casa da senhora Aurora, uma vizinha. Vêem novelas e falam sobre as coisas da vida.

A minha tia tem uma filha e uns netos maravilhosos que vivem perto e a visitam com imensa frequência. Ontem à tarde, a minha prima foi vê-la. Tirou-lhe esta foto e eu só posso encher-me de orgulho porque representa verdadeiramente o que a minha tia é: uma força da natureza. 

A minha tia chama-se Fernandina e é a Mulher Mais Corajosa do Mundo.

Pelo menos do meu.

18 Outubro 2018 - A minha tia, sem filtros e com o cão Boneco.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Sobre os pais que não merecem ser pais.


Este fim de semana, levei Caco Boy  a um parque temático próximo de Lisboa.  Enquanto passeávamos pelas diversões, oiço um homem a falar alto, o que me chamou a atenção. Paro para ouvir melhor e percebo que dizia: "Estás a ver? É que te dou assim, com o punho fechado! "Estás a ouvir? É assim, com o punho fechado!". Aquilo pareceu-me algo tão impossível de estar a acontecer, ali à vista de todos, que o primeiro pensamento foi achar que era uma brincadeira. Ainda assim, parei para ver com mais atenção.

Vejo um homem entre os 40/45 anos, acompanhado da família: mulher, duas crianças e uma senhora mais velha que talvez fosse mãe ou sogra. Percebo que se dirigia a uma criança (possivelmente filho) e que gritava aquela frase de forma séria, com a mão fechada, gesticulando e, agora sem dúvida nenhuma,  a oferecer pancada ao miúdo que estava passivamente junto a um painel, daqueles com buracos para enfiar a cabeça e tirar fotos.

Nisto, oiço a mulher mais velha dizer, num tom apaziguador, :"Vá, deixa lá isso...", o que enfureceu ainda mais o homem boçal que aproveitou para mostrar mais uma vez quem mandava e grunhiu, aos berros: "ESTÁS A VER?? É ASSIM!! DE PUNHO FECHADO!!!!", enquanto punha a mão em frente à cara do miúdo.

Pensei: "Não posso ficar aqui a assistir a isto e fazer de conta que não está a acontecer... por outro lado, se vou pedir contas a um homem deste nível, o mais certo é sair dali com um soco no meio dos olhos, o que não iria mudar grande coisa - tirando o facto de vir talvez a precisar de uma nova operação de correcção do septo nasal - até porque a criança iria continuar a viver debaixo do mesmo tecto daquela besta". Acrescia o facto de eu ter metade do peso dele e estar acompanhada do meu filho... obviamente não queria criar confusões com ele a assistir.

Optei por nada fazer. O que teve todos os efeitos menos tranquilizar-me. Eles continuaram a andar, eu também, e pensei que se aquele animal era capaz de ter uma atitude daquelas num lugar público, o que faria dentro de quatro paredes com ninguém a ver. Além disso, a própria mulher e mãe/sogra assistiram e nada fizeram... Ou seja, quem controla este tipo de comportamentos abusivos dos pais com os próprios filhos? A bem da verdade, é praticamente impossível.

Contra mim falo. Vi, e nada fiz. 

E agora estou aqui com este remorso a consumir-me.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Só porque é sexta-feira...


... e porque certamente está aí tudo a contar os segundos para o dia passar que nem uma flecha, toca a dar aqui uma "mexida" na barraca e ir cuscar este link, só para ver qual era a música que estava no TOP no dia em que vocês nasceram. Não é o máximo?!?!?

Ok, talvez não seja assim tanto, mas, assim de repente, até me pareceu.

A mim calhou-me um tal de Jim Croce. E a vocês?

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O que tenho a dizer sobre o caso "Mayorgate"


Depois de analisar estas imagens com atenção...


... e de estudar profundamente todas as declarações e comentários avançados sobre este tema, a conclusão a que chego é que, efectivamente e sem qualquer sombra de dúvida - digam o que disserem -, uma coisa é certa (e quanto a isto, acho que estamos todos de acordo):

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O Ronaldo dança muito, mas mesmo muito mal. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Pernas, para que vos quero.


Se isto fosse um blogue "cocó", eu até vinha para aqui falar nos "Must Have" deste Verão ou da tendência "Athleisure" (ok, não sabem o que é? Vejam tudo aqui que eu não duro sempre), lançar um "Spoiler Alert" qualquer da rentrée, ou outro xiripiti qualquer.

Mas não, isto não é um blogue "cocó". Pelo menos, até ver me começarem a pagar para isso. 

Como ainda me mantenho como uma barraca honesta, venho aqui contar-vos que, graças a uma consulta de dermatologia que fiz na CUF Descobertas - por causa de um problema que venho aqui desabafar quando tiver tempo -, descobri um creme maravilhoso para as minhas pernas, que apesar de serem perfeitas - sim, ouviram bem, eu disse P-E-R-F-E-I-T-A-S, têm, no entanto, um pequeno problema: são mais secas do que a casca de um sobreiro.

Quando eu digo secas, não estou a exagerar. Na zona dos joelhos até aos pés, chegam ao ponto de abrir fissuras, como se tivesse tido ali um mar de lava a descer pela perna abaixo. Ok, agora admito que possa estar a exagerar um bocadinho...  

O creme é da Aveeno, uma marca que conheci quando Caco Boy era bebé, e é absolutamente milagroso. A pele fica super, mega macia e não é nada gorduroso. Coisa que dito assim parece mentira, mais vai-se a ver e não é. Chama-se "Aveeno Skin Relief Nourishing Lotion" e tem uma coisa chamada "shea butter" que deve ter uma magia qualquer. Aquilo é como se, de repente, ficássemos com uma cútis de deusas, mas a pele absorve tudo tão depressa que parece que não aconteceu nada. 

Como se não bastasse, ainda combina com a minha casa de banho. 

Oh para ele aqui, tão lindinho: 



Nota de rodapé (só porque a autora é honesta e não quer ludibriar ninguém): a foto lá em cima, apesar de poder ser eu, não sou. Mas reparem que eu disse que podia ser. 

Agora pensem.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Aviso à navegação!



Miss Caco está a pensar adquirir uma bicicleta destas assim todas pipis para poder andar de cabelo ao vento, no arejo, com Caco Boy.

É certo que daqui a nada é Outono e vai ficar arrumada num canto até ao ano que vem, mas pronto, deu-me agora esta panca e sobre isso nada a fazer.

Alguém por aqui tem uma assim parecida, quase novinha e jeitosinha, que esteja interessado em despachar?

Aviso já as invejosas que vou ficar linda. Depois aguentem-me que também fico impossível de aturar.

Agradecida.


sexta-feira, 27 de julho de 2018

Sobre as ilusões.


Quando eu tinha 8 anos, por razões profissionais, os meus pais tiveram de mudar de cidade. Não me recordo da primeira vez que mo disseram, nem de que forma foi feito o "comunicado", mas a vaga ideia que tenho é que terá sido uma coisa num tom informal e descontraído. 

Recordo-me da mudança ter sido encarada como uma coisa boa. Vivíamos num apartamento de um prédio com três andares que tinha um pátio que me parecia enorme, mas que, alguns anos depois, quando lá regressei, já adulta, percebi que o olhar das crianças vê a realidade com mais dez dioptrias. 

Um pátio onde dava para jogar ao elástico, à macaca, às escondidas, aos polícias e ladrões, fazer corridas de caricas, brincar ao "Espaço 1999" com armas feitas em esferovite, jogar à bola e, ainda por cima, tudo ao mesmo tempo; na realidade, não passava de um sítio onde cabiam cinco carros, sendo que um deles teria de ser um Mini e os condutores deveriam ter muita perícia para estacionar.

Os "mantras" que acompanharam a fase da pré-mudança eram mais ou menos estes:"vamos para uma casa maior", "tem um jardim para brincares", "fica perto da praia", "vais para uma escola grande, fazer amigos novos" ou "vais ter um quarto só para ti". Era uma alegria. Íamos ter uma vida nova, num lugar novo. Íamos para um sítio melhor. Íamos ser ainda mais felizes.

A euforia da mudança começou a palpitar na minha pequena cabeça e cada dia que passava, a sensação de ansiedade ganhava cada vez mais força. Todos os meus amigos do prédio já sabiam, os pais dos meus amigos também já sabiam e, de certa forma, eu sentia que era a sortuda do prédio, porque tinha um novo mundo à minha espera, enquanto os meus amigos iam continuar ali a jogar à macaca, a saltar ao elástico e a gozar com os vestidos da Mónica do 2º dir.: "Azul e verde, escarra na parede".   

Finalmente o dia chegou e com ele o camião das mudanças. As loiças embaladas nas páginas do "Jornal de Notícias" e colocadas dentro de caixas de cartão. Os discos de vinil, a aparelhagem, os tapetes, as cadeiras, os jarrões da minha mãe, a panela de pressão da Silampos, as enciclopédias, os livros das Selecções do Reader´s Digest, caixas e caixotes, tudo aos ombros de uns homens fortes que eu via saírem suados pela porta do prédio, sentada na berma do pátio. O tal que na altura era grande e encolheu com o tempo.

Assisti a tudo cá de fora, porque naturalmente uma criança não podia ficar dentro do apartamento com tanta azáfama a decorrer. Fiquei ali, passivamente, a assistir aos objectos a serem levados para dentro de um camião que, tal como o pátio, também me parecia gigantesco. As caixas amontoavam-se, a mobília desmontada, tudo preparado para seguir para "a casa maior, com um jardim e perto da praia".

Quando me autorizaram, subi os três andares de escadas. Não havia elevador. O corrimão era verde e as paredes interiores do prédio eram forradas com aqueles bocadinhos de vidros todos estilhaçados de cores e formatos diferentes que eu tantas horas ficava a admirar. Nenhum centímetro de parede era igual ao outro, portanto, ao longo dos 6 anos que ali vivi,  enquanto subia e descia os três andares via milhões de pedrinhas de vidro coloridas, o suficiente para muitos minutos de encantamento. 

Fui a casa pela última vez. A porta estava aberta e ao fundo do corredor havia apenas o telefone preto - daqueles onde marcávamos os números com o dedo, numa roda de plástico transparente que girava lentamente e fazia um barulho que ainda hoje recordo -  pousado na alcatifa bege do hall de entrada.

O apartamento estava vazio. Faltava trazer uma ou duas coisas e a mim coube-me o peixinho vermelho num saco de plástico, fechado com um nó. Desci as escadas com o saco na mão e no pátio já estava o carro do meu pai, carregado com malas, à nossa espera. Os meus amigos estavam a brincar e foi nesse preciso momento que percebi que, afinal, as crianças não podem acreditar em tudo o que os adultos dizem. Não que estivesse revoltada com os meus pais. Estava mais chateada comigo por não ter antecipado a angústia que estava a sentir. Por ter valorizado apenas o que ia "ganhar" e não imaginar, por um segundo que fosse, o que ia perder. 

Disse adeus aos meus amigos, já dentro do carro, como se voltasse no dia seguinte, à hora do costume, para saltarmos à macaca ou tocarmos às campainhas dos vizinhos e fugirmos a seguir, a correr no meio das gargalhadas. Pela reacção deles, desconfio que fingiram o mesmo.

(...)

Ontem foi o Dia Mundial dos Avós. Ao fim do dia, disse ao meu filho que íamos ligar à avó B. ao avô F. e à avó A.. Ele perguntou porque não ligávamos ao avô H. Recordei-lhe que o avô H. estava no céu e lá não havia telefone, mas que ele estava bem, com o avô A., tal como lhe tinha dito, pela primeira vez, há duas semanas atrás. Ele perguntou o que estavam a fazer lá. Eu disse que estavam a brincar, felizes e a pensar em nós.

Ele não disse nada. Ficou em silêncio a olhar para a televisão, numa expressão pensativa e olhar vago. Minutos depois, perguntou: "Quando ficarmos todos velhinhos o que acontece, mamã?" Eu disse que nunca ficávamos todos velhinhos ao mesmo tempo, que demora muito tempo até ficarmos velhinhos, mas que quando isso acontecer, vamos para o céu, tal como o avô H. e o avô A.. 

Silêncio. Semblante sério e carregado. Talvez não fosse bem assim. Talvez não fosse tudo tão bom no céu como lhe fiz crer há umas semanas atrás. Talvez não estivessem a brincar. Afinal, nem sequer havia telefone. 

Tentei conter as lágrimas, mas naquele momento, ao olhar para ele, só conseguia ver a angústia da  menina do pátio, a segurar o saco de plástico com o peixinho vermelho.  

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Este é o meu Pai.


Este é o meu Pai. O meu maior orgulho. O Homem com as Mãos mais Bonitas do Mundo. 

O meu pai morreu-me e não consigo escrever uma linha de jeito desde o dia que soube o que iria acontecer. "O pior cenário será um mês, semanas... e o melhor, um ano...(pausa)... dois...", disse o senhor da bata branca, enquanto esticava os ombros até ao limite do possível.

Foram 383 dias.

Ainda não consigo escrever uma linha de jeito, mas o orgulho que tenho nele continua a crescer desmesuradamente... ali, taco a taco com a linha da saudade. Não sei quem vai ganhar, mas isso agora não importa. Enquanto isso, é urgente descobrir o que realmente importa.

O mesmo orgulho com que o levei para a residência, onde terminou os dias, e o conduzi - ainda que desajeitadamente - na cadeira de rodas, pelos novos corredores que vieram a ser a sua última casa. O mesmo orgulho com que saímos, pela primeira vez, do elevador e queria que toda a gente o conhecesse - mesmo com menos 20 quilos, cabelo raro, e os ossos a rebentarem-lhe a pele - , como se alguém ainda pudesse fazer algo por ele, ou como se isso me desse garantias de que teria mais atenção e carinho.

- "Dona Emília, dona Emília!! Venha cá! Este é que é o meu Pai!", gritei.

Ela aproximou-se, sorriu e cumprimentou-o. Fingimos as duas não reparar nas lágrimas que lhe corriam.

(...)

- "Sabe, as mãos do Homem ainda não chegam a todo o lado". 

Este eufemismo a latejar na minha cabeça. Eternamente. Foi a forma que o médico encontrou de lhe ditar a sentença. 

Precisamente ao Homem com as Mãos mais Bonitas do Mundo.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Constatações Mictórias.


CENÁRIO:

Caco Boy em frente à sanita, a fazer chichi e, como é habitual, a tentar acertar naquelas bolinhas desinfectantes coloridas que se penduram (estilo WC Pato), só para ver o chichi a ficar azul.

Normalmente esta actividade é feita em silêncio. Não gosta que eu comunique com ele durante o processo, mas aprecia bastante exige que eu fique ali ao lado a ver. (Talvez um dia o psicólogo explique).

A atitude corporal é sempre a mesma: hirto, de pé, em frente à sanita, calado, a olhar fixamente para as bolinhas de desinfectante - para garantir que não erra na pontaria -, sendo que, pontualmente, faz umas acrobacias, sempre que se lembra que também é divertido quebrar a rotina e projectar o dito, de forma a vê-lo a escorrer pela tampa abaixo. Coisa mai linda de se ver.

Estava neste propósito, quando, de repente, sem nada o fazer prever, diz:

- "Mamã... estão velhos".

Eu, a tentar perceber a que se referia, ponho-me a olhar para os azulejos e a confirmar que, de facto, se calhar estava na altura de fazer um refresh à decoração... ou estaria ele a falar dos acessórios onde se pendura o papel higiénico e aquela escovinha que fica aqui ao lado da sanita, mas que nunca se usa e depois, como nunca usamos, vamos deixando ficar e chega um dia em que temos nojo porque se calhar a empregada também nunca o limpou, e às tantas até foi usada só que não nos lembramos e, por isso, é melhor deitar fora e comprar outra, sabendo nós que o procedimento se repete sucessivamente, ano após ano.

Bom, mas para garantir que percebia a que se referia, pergunto: 

- "O quê, filho?? O que está velho?"

Ele - "Os tomates" (mantendo o ar sério e compenetrado, sempre a olhar para a sanita). 

Eu - "Porque dizes isso?" (a tentar conter o riso) 

Ele - "Estão murchos".

Nota: Este post não é patrocinado pelo WC Pato. Apesar de não perceber porquê...

segunda-feira, 7 de maio de 2018

QUERO O MEU DENTE AQUI, JÁ!!!!!!!



Mãe que é mãe está presente em todos os momentos marcantes da vida de um filho. Pelo menos sempre que pode. Mas, apesar de eu ser uma mãe praticamente perfeita, vou já avisando que este não foi o caso.

Tive de me ausentar este fim de semana e Caco Boy - reparem que a designação Baby Caco já foi à vida, por mais que me doa e me desfaça o coração em lascas. Sim, eles crescem e bem sei que agora têm 5 anos, mas um dia destes arranjam namoradas e no outro dia já saem de casa e no dia seguinte... bem, vamos ao que interessa -  dizia eu, este fim-de-semana foi com o pai a uma festa de aniversário. 

Ligou-me à tarde a dizer que tinha um dente a abanar. Nada de novo. Anda a abanar há dois meses, mas cada vez que fala nisso, fica tão eufórico que eu faço de conta que estou a saber pela primeira vez.

Ao fim do dia, a caminho de casa, entra uma foto no meu telemóvel com o meu filho de boca aberta, já sem o dente. Ao que pergunto: "Onde está o dente?". Não tive resposta.

Horas depois, ao chegar a casa, Caco Boy corre até mim numa euforia desmedida, ora porque tinha uma prenda para o Dia da Mãe, ora porque já não tinha dente, ora porque tinha saudades, eu sei lá, era por tudo junto e mais alguma coisa.

Minutos depois, pergunto: "Onde tens o dentinho, meu amor? Vamos pô-lo numa caixinha para a fada vir buscar durante a noite!!"

Baixa uma penumbra e o ambiente fica assim a modos que tenso.

O sorriso desaparece e eu penso: "F&d#-se, tu queres ver que ele engoliu o raio do dente?!?" Logo a a seguir pensei: "Mas não deve ser grave. Imensos miúdos devem engolir dentes.... Bem sei que é mal comparado, mas eu tinha um cão que comia cuecas e nunca lhe aconteceu nada. E eram as da minha mãe. Que na altura já pesava quase 90 kg. Eu digo cuecas, mas aquilo podiam bem ser Termotebes de uma criança com uns 7 ou 8 anos. Agora pensem".

Caco Boy - "Perdi o dente, mamã..."

Miss Caco - "Perdeste como, filho???!?"

Caco Boy - Na piscina de bolas.

Pronto. Estava tudo arruinado.

Eu não só não estive com o meu filho no Dia da Mãe, como ele perdera o primeiro dente da sua vida numa piscina de bolas. Ainda por cima, nem sequer foi numa piscina de bolas em condições. Podia ter sido na piscina de bolas da Disneyworld, em Orlando, ou na piscina de bolas da casa do Cristiano Ronaldo, em Pozuelo de Alarcón. Mas não, foi na piscina de bolas da.... Telepizza do Montijo.

Para remediar a situação, deixámos um bilhete à fada a explicar o sucedido e a prometer que para a próxima não esquecemos o dente. Tentei escolher uma caixa bonita, cor de rosa, digna de uma fada, mas ele insistiu que a caixa dos óculos de sol era o sítio mais apropriado.

Disse-lhe para deixarmos na mesinha de cabeceira dele. Ele não quis, alegando que tinha medo da fada, por isso era melhor deixar na minha. Eu disse que a fada era pequenina, muito tímida, tinha umas asas com brilhantes e que só entrava no quarto quando tivesse a certeza que ele estava a dormir porque tinha muita, muita vergonha, ao que ele respondeu:

"Porquê, mamã? Nós até xomos ximpáticos...".

E foi feita a sua vontade.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

É só um favorzinho...


... há por aí alguém disponível que me traga um café e o contacto do cirurgião da Fernanda Velez, do Blog da Carlota?

Agradecida.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Os três coisos no centro ficaram amazing.


O companheiro do criador de moda Valentino fez a festa de aniversário no Palácio dos Marqueses de Fronteira, em Lisboa. Entre os convidados "cá da terra" estava a Madonna, o Herman José, a Joana Vasconcelos (que agora também faz cake design) e a Celeste (irmã da Amália).

Agora, olhando assim mais de perto para o bolo, parece-me imperdoável não terem convidado a Barbie. Ou os Pequenos Póneis. Ok, não é fácil? Pronto, então o Goucha. 

Aposto que ia adorar.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Querem descobrir o que vai ser o futuro do vosso filho?


Ontem à noite, antes de dormir, contei uma adaptação da história do Aladino a Baby Caco.  Apesar de já a ter contado dezenas de vezes, quando terminei, apercebi-me que tinha uma oportunidade de ouro para "entrar" na cabecinha de um menino de 4 anos - que dá-se o caso de ser meu filho - e descobrir quais os desejos que lhe vão na alma. 

Confesso que ainda tremi, com algum cagaço que me dissesse que queria ter uma mãe igual à do Ruca, mas decidi arriscar... até porque no fundo, posso não fazer tantos bolos, mas sou um bocado mais gira e não uso bandolete.

A coisa passou-se assim:

- Olha lá, Baby Caco, então imagina só... E se o génio entrasse agora mesmo aqui no quarto e te dissesse para escolheres três desejos?!? Não era o máximo???!? O que dizias"?

- Hummm.... primeiro pedia um gelado de morango, com aquelas coisinhas vermelhas à volta, e uma bolinha em cima!!!

- Uau!! Isso era espectacular! Devia ser mesmo delicioso!!! E depois? O que pedias a seguir?

- Depois pedia para não ir à escola um dia e entrar num foguetão para ir ao espaço...

- Uau!! Isso era demais! E ias ao espaço sozinho ou levavas alguém?

- Levava o meu amigo Naveed.

- Ahhh!!! Mas, espera... ainda tens mais um desejo... É o último! Escolhe bem que não tens mais nenhum...

-  Hummm..  então pedia para crescer até ficar do tamanho do papá!

- Mas se ficasses do tamanho do papá, chegavas à escola gigante e os teus amigos assustavam-se... 

- Hummm...

(Pausa)

 - Então pedia ao génio para tirar o pó das paredes.

- O pó das paredes?!?

- Sim, aquele pó ali em cima... (referindo-se a um foco de humidade que está no canto do tecto a aguardar que os c%$#s dos condóminos aceitem avançar com as obras no prédio).

Posto isto, está feita a análise: o meu filho ou vai ser gordo, ou astronauta ou trolha. 

Tirando o gordo, nada a opor.  

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Quem se lembra do Alf que ponha o dedo no ar.


Baby Caco hoje e amanhã não tem escola, por isso, tive de o deixar em casa da mãe da minha empregada. Há pouco, apanhei-a online e perguntei-lhe se estava tudo a correr bem. Resposta:

"Eu só cheguei agora e a gata já não sabe onde se meter". 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Obrigada, Pedro.


Um certo dia, quando este blogue tinha ainda muito pouco tempo de vida e eu mal conhecia 10% das suas funcionalidades - coisa que hoje em dia não é muito diferente - reparei lá naquela área onde diz "visualizações" que tinha tido centenas num curtíssimo espaço de tempo. Achei aquilo tão estranho, que desvalorizei pensando que seria um vírus.

Passadas umas horas as visualizações continuavam a aumentar e começavam a cair likes na página de facebook. Foi nesta altura que pensei: "Bem, isto é gajo para ter algum fundamento... às tantas vou perder aqui algum tempo a ver se percebo de onde veio esta maralha toda assim de repente sem avisar". 

E foi assim que percebi que aquele "arrastão" chegou cá porque o Pedro Rolo Duarte tinha atribuído ao "Caco de Mimo" o galardão de "Blogue da Semana". Fiquei tão histérica que liguei às minhas amigas - as que sabem quem é Miss Caco - a contar e a achar que chegara finalmente a altura de mandar tudo às urtigas e preparar-me para ter dezenas de paparazzis à porta a pagar-me 3.000 mil euros por entrevista, emigrar para as Bahamas e assim passar o resto dos meus dias sem fazer nenhum. Bom, é certo que isso não aconteceu, mas o galardão do Pedro passou imediatamente para o topo do meu blogue e dali já ninguém o tira.  

Não conheci o Pedro pessoalmente. Apenas me cruzei com ele em alguns eventos e troquei umas palavras de agradecimento pela simpatia das suas palavras, ao que me respondeu de forma bastante amável. 

A parte profissional do Pedro é conhecida de todos e sobre isso, é inegável o brilhante percurso que construiu. Apesar de nos seguirmos nas redes sociais, nunca percebi que estava doente. Ou melhor, ele nunca deu sinais. Percebia-se, isso sim, o enorme amor e orgulho que tinha no seu filho.

O Pedro morreu há dois dias, mas só agora consegui vir cá falar sobre isto. Foi este blogue que de certa forma nos fez cruzar, e vai ser este também o meio que vou usar para, desta vez, ser eu a prestar-lhe homenagem.

Obrigada, Pedro.

Até sempre.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Quando os Natais deixam de ter luz.


 Dizem que é "fatal como o destino" e, a bem da verdade, de facto, é. 

Tenho 43 anos e sempre vivi a chegada do Natal com a alegria e euforia que a data merece. Para trás ficaram os anos em que era a festa dos presentes - desses já nem me lembro assim tão bem - e já há bastante tempo que, para mim, é apenas a Festa da Família. E isso é o mais importante.

Talvez por ter vivido algum tempo fora do país e, naturalmente, longe de casa, tenha aprendido a valorizar os dias partilhados com eles. Sei bem o valor da palavra Saudade.

A minha família é pequena. Acho até que é mesmo muito pequena. Os Natais em que tivemos mais gente à mesa nunca ultrapassaram as 13 cadeiras, ainda que eu não apreciasse a ideia desse "fatídico" número na mesma mesa.

No ano passado, por esta altura, já estava a fazer listas de presentes, a planear os dias de férias, a programar as idas ao norte nos últimos fins-de-semana do ano, para ir levando as prendas aos bocados, pois na mala do carro não cabia tudo de uma só vez. Provavelmente é o que a maioria de vocês também anda a fazer.

Aproveitem bem esta data. Mimem a família que têm e tratem-na bem. Cuidem dela. Vivam esta época com todo o amor que ela merece, porque a paz e a harmonia que a caracteriza não vai estar eternamente presente nos restantes 24 de Dezembros das vossas vidas.

Pela primeira vez, chego ao dia de hoje sem querer ouvir falar em presentes, sem saber onde vou passar o Natal, nem ao lado de quem. Sei apenas que, infelizmente, já não seremos os "fatídicos 13 à mesa" e que vai ser uma noite emocionalmente difícil de digerir. 

Há dias, já não sei bem onde, li uma teoria estapafúrdia que dizia que os os adultos tinham filhos para se rirem. Uma absoluta parvoíce, é certo. Mas a verdade é que, de certa maneira, neste Natal, eu sei que é no meu filho que vou buscar as forças para disfarçar o medo e a angústia da fase que estou a viver.

Se calhar, bem lá no fundo, é também isto que significa a dura "Lei da Vida".

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Obrigada, Mattell!!!


Já devem ter ouvido falar na última iniciativa da boneca mais famosa do mundo que decidiu homenagear mulheres portuguesas que tenham protagonizado "grandes feitos a nível nacional". Vai daí, toca a criar réplicas do mulherio digno desta distinção, oferecendo-lhe uma Barbie personalizada. 

Pois a minha acabou de chegaaaaaaaarrrrrrr!!!! Iuuuuupppiiii!!!! Não fiquei linda???!!??

Sempre soube que um dia alguém iria valorizar a minha capacidade de imitar a Nicole Kidman a bater palmas, daquela forma estranha na última edição dos Óscares. 

Entretanto, a Catarina Furtado - que não pode ver nada - ficou fula e não descansou enquanto não encomendou a dela. Cá para nós, mais parece a mulher do Patrick Duffy, na série "Dallas", mas prontos, cada um sabe de si...
Nota de rodapé:

(...)
Mentirinha...
Encontrei no armário da minha sobrinha.
Só não tenho as sobrancelhas pintadas, mas a franja está parecida. 
Já as galochas, são iguaizinhas. 
Juro.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Diz que na Aguda o tempo está bom.


A única coisa chata é que estão a controlar os acessos à zona da esplanada. Agora só entra quem tiver sapato branco e os lugares com melhor vista estão reservados para quem levar adereço a combinar. Sei lá, por exemplo, uma etiqueta.

Bem visto. Há que começar a seleccionar ambientes.

#crocsaopoder
#podemosusarcrocsbrancasmesmonãosendoenfermeiros

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Ele há por aqui uma vivalma que pondere mudar de casa?



Pessoas que andais por aí perdidas, à procura de um rumo ou de um poiso para procriar, que virais do avesso sites de imobiliárias - antes isso que o Tinder -, que perdeis tempo em pesquisas no OLX ou a perguntar a amigos: "Ah e tal, a zona onde tu moras é jeitosa?". 

Atenção. Pára tudo. Podem perder tempo com todas as tarefas que mencionei, menos com a de perguntar a amigos. Nenhum amigo vos vai dizer que a zona onde mora não é a melhor escolha que fez na vida. Repito: NENHUM. A não ser que sofra de D.E.S.D, aka, Distúrbio de Excesso de Sinceridade Descontrolada.

Posto isto, se há por aqui mentes que ponderem rumar para a margem sul, ou mesmo aquelas que não ponderem, mas gostem sempre de dar uma cuscada no mercado imobiliário, deixo-vos aqui o link de uma moradia supimpa, onde vivia um casal amigo que garanto a ter tratado com muito carinho, mas que vai mudar de vida e, como tal, aqui está ela lavadinha e disponível para quem pense nidificar na outra margem.

Não vou perder tempo a dizer que tem piscina, parque de diversões, uma sala de condomínio que mete muitos salões de festas num bolso, que fica num lugar altamente pitoresco, que a ponte Vasco da Gama nunca tem filas (nem em hora de ponta) que se come peixe do bom e barato,  que aquilo por aqueles lados é uma qualidade de vida que eu sei lá...

Vá, agora é só cuscarem aqui e mostrarem a amigos. Juro que não tenho comissão. Mas, vendo bem, se calhar até merecia.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Isto é de mim ou...


... a ministra Constança Urbano de Sousa é uma espécie de cruzamento - daqueles mal amanhados, com muitos desníveis no asfalto e cheios de buracos nas valetas - entre a atriz Charlotte Gainsbourg e a atleta Vanessa Fernandes?

Eu sei, querida Charlotte. Bem sei que não mereces isto e estás a par da admiração que sinto por ti, mas foi mais forte do que eu.

Adenda: Acabei de saber que a Constança é irmã de um produtor de cinema. Mais: os nomes Constança e Charlotte começam ambos por "C" e têm 9 letras. NÃO HÁ POR AQUI UMA ALMA QUE FAÇA CHEGAR ESTE POST AO FBI, VALHA-ME DEUS????!!?? 

(...)

Ok. Menos, Miss Caco, menos.