sexta-feira, 27 de julho de 2018

Sobre as ilusões.


Quando eu tinha 8 anos, por razões profissionais, os meus pais tiveram de mudar de cidade. Não me recordo da primeira vez que mo disseram, nem de que forma foi feito o "comunicado", mas a vaga ideia que tenho é que terá sido uma coisa num tom informal e descontraído. 

Recordo-me da mudança ter sido encarada como uma coisa boa. Vivíamos num apartamento de um prédio com três andares que tinha um pátio que me parecia enorme, mas que, alguns anos depois, quando lá regressei, já adulta, percebi que o olhar das crianças vê a realidade com mais dez dioptrias. 

Um pátio onde dava para jogar ao elástico, à macaca, às escondidas, aos polícias e ladrões, fazer corridas de caricas, brincar ao "Espaço 1999" com armas feitas em esferovite, jogar à bola e, ainda por cima, tudo ao mesmo tempo; na realidade, não passava de um sítio onde cabiam cinco carros, sendo que um deles teria de ser um Mini e os condutores deveriam ter muita perícia para estacionar.

Os "mantras" que acompanharam a fase da pré-mudança eram mais ou menos estes:"vamos para uma casa maior", "tem um jardim para brincares", "fica perto da praia", "vais para uma escola grande, fazer amigos novos" ou "vais ter um quarto só para ti". Era uma alegria. Íamos ter uma vida nova, num lugar novo. Íamos para um sítio melhor. Íamos ser ainda mais felizes.

A euforia da mudança começou a palpitar na minha pequena cabeça e cada dia que passava, a sensação de ansiedade ganhava cada vez mais força. Todos os meus amigos do prédio já sabiam, os pais dos meus amigos também já sabiam e, de certa forma, eu sentia que era a sortuda do prédio, porque tinha um novo mundo à minha espera, enquanto os meus amigos iam continuar ali a jogar à macaca, a saltar ao elástico e a gozar com os vestidos da Mónica do 2º dir.: "Azul e verde, escarra na parede".   

Finalmente o dia chegou e com ele o camião das mudanças. As loiças embaladas nas páginas do "Jornal de Notícias" e colocadas dentro de caixas de cartão. Os discos de vinil, a aparelhagem, os tapetes, as cadeiras, os jarrões da minha mãe, a panela de pressão da Silampos, as enciclopédias, os livros das Selecções do Reader´s Digest, caixas e caixotes, tudo aos ombros de uns homens fortes que eu via saírem suados pela porta do prédio, sentada na berma do pátio. O tal que na altura era grande e encolheu com o tempo.

Assisti a tudo cá de fora, porque naturalmente uma criança não podia ficar dentro do apartamento com tanta azáfama a decorrer. Fiquei ali, passivamente, a assistir aos objectos a serem levados para dentro de um camião que, tal como o pátio, também me parecia gigantesco. As caixas amontoavam-se, a mobília desmontada, tudo preparado para seguir para "a casa maior, com um jardim e perto da praia".

Quando me autorizaram, subi os três andares de escadas. Não havia elevador. O corrimão era verde e as paredes interiores do prédio eram forradas com aqueles bocadinhos de vidros todos estilhaçados de cores e formatos diferentes que eu tantas horas ficava a admirar. Nenhum centímetro de parede era igual ao outro, portanto, ao longo dos 6 anos que ali vivi,  enquanto subia e descia os três andares via milhões de pedrinhas de vidro coloridas, o suficiente para muitos minutos de encantamento. 

Fui a casa pela última vez. A porta estava aberta e ao fundo do corredor havia apenas o telefone preto - daqueles onde marcávamos os números com o dedo, numa roda de plástico transparente que girava lentamente e fazia um barulho que ainda hoje recordo -  pousado na alcatifa bege do hall de entrada.

O apartamento estava vazio. Faltava trazer uma ou duas coisas e a mim coube-me o peixinho vermelho num saco de plástico, fechado com um nó. Desci as escadas com o saco na mão e no pátio já estava o carro do meu pai, carregado com malas, à nossa espera. Os meus amigos estavam a brincar e foi nesse preciso momento que percebi que, afinal, as crianças não podem acreditar em tudo o que os adultos dizem. Não que estivesse revoltada com os meus pais. Estava mais chateada comigo por não ter antecipado a angústia que estava a sentir. Por ter valorizado apenas o que ia "ganhar" e não imaginar, por um segundo que fosse, o que ia perder. 

Disse adeus aos meus amigos, já dentro do carro, como se voltasse no dia seguinte, à hora do costume, para saltarmos à macaca ou tocarmos às campainhas dos vizinhos e fugirmos a seguir, a correr no meio das gargalhadas. Pela reacção deles, desconfio que fingiram o mesmo.

(...)

Ontem foi o Dia Mundial dos Avós. Ao fim do dia, disse ao meu filho que íamos ligar à avó B. ao avô F. e à avó A.. Ele perguntou porque não ligávamos ao avô H. Recordei-lhe que o avô H. estava no céu e lá não havia telefone, mas que ele estava bem, com o avô A., tal como lhe tinha dito, pela primeira vez, há duas semanas atrás. Ele perguntou o que estavam a fazer lá. Eu disse que estavam a brincar, felizes e a pensar em nós.

Ele não disse nada. Ficou em silêncio a olhar para a televisão, numa expressão pensativa e olhar vago. Minutos depois, perguntou: "Quando ficarmos todos velhinhos o que acontece, mamã?" Eu disse que nunca ficávamos todos velhinhos ao mesmo tempo, que demora muito tempo até ficarmos velhinhos, mas que quando isso acontecer, vamos para o céu, tal como o avô H. e o avô A.. 

Silêncio. Semblante sério e carregado. Talvez não fosse bem assim. Talvez não fosse tudo tão bom no céu como lhe fiz crer há umas semanas atrás. Talvez não estivessem a brincar. Afinal, nem sequer havia telefone. 

Tentei conter as lágrimas, mas naquele momento, ao olhar para ele, só conseguia ver a angústia da  menina do pátio, a segurar o saco de plástico com o peixinho vermelho.  

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Este é o meu Pai.


Este é o meu Pai. O meu maior orgulho. O Homem com as Mãos mais Bonitas do Mundo. 

O meu pai morreu-me e não consigo escrever uma linha de jeito desde o dia que soube o que iria acontecer. "O pior cenário será um mês, semanas... e o melhor, um ano...(pausa)... dois...", disse o senhor da bata branca, enquanto esticava os ombros até ao limite do possível.

Foram 383 dias.

Ainda não consigo escrever uma linha de jeito, mas o orgulho que tenho nele continua a crescer desmesuradamente... ali, taco a taco com a linha da saudade. Não sei quem vai ganhar, mas isso agora não importa. Enquanto isso, é urgente descobrir o que realmente importa.

O mesmo orgulho com que o levei para a residência, onde terminou os dias, e o conduzi - ainda que desajeitadamente - na cadeira de rodas, pelos novos corredores que vieram a ser a sua última casa. O mesmo orgulho com que saímos, pela primeira vez, do elevador e queria que toda a gente o conhecesse - mesmo com menos 20 quilos, cabelo raro, e os ossos a rebentarem-lhe a pele - , como se alguém ainda pudesse fazer algo por ele, ou como se isso me desse garantias de que teria mais atenção e carinho.

- "Dona Emília, dona Emília!! Venha cá! Este é que é o meu Pai!", gritei.

Ela aproximou-se, sorriu e cumprimentou-o. Fingimos as duas não reparar nas lágrimas que lhe corriam.

(...)

- "Sabe, as mãos do Homem ainda não chegam a todo o lado". 

Este eufemismo a latejar na minha cabeça. Eternamente. Foi a forma que o médico encontrou de lhe ditar a sentença. 

Precisamente ao Homem com as Mãos mais Bonitas do Mundo.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Constatações Mictórias.


CENÁRIO:

Caco Boy em frente à sanita, a fazer chichi e, como é habitual, a tentar acertar naquelas bolinhas desinfectantes coloridas que se penduram (estilo WC Pato), só para ver o chichi a ficar azul.

Normalmente esta actividade é feita em silêncio. Não gosta que eu comunique com ele durante o processo, mas aprecia bastante exige que eu fique ali ao lado a ver. (Talvez um dia o psicólogo explique).

A atitude corporal é sempre a mesma: hirto, de pé, em frente à sanita, calado, a olhar fixamente para as bolinhas de desinfectante - para garantir que não erra na pontaria -, sendo que, pontualmente, faz umas acrobacias, sempre que se lembra que também é divertido quebrar a rotina e projectar o dito, de forma a vê-lo a escorrer pela tampa abaixo. Coisa mai linda de se ver.

Estava neste propósito, quando, de repente, sem nada o fazer prever, diz:

- "Mamã... estão velhos".

Eu, a tentar perceber a que se referia, ponho-me a olhar para os azulejos e a confirmar que, de facto, se calhar estava na altura de fazer um refresh à decoração... ou estaria ele a falar dos acessórios onde se pendura o papel higiénico e aquela escovinha que fica aqui ao lado da sanita, mas que nunca se usa e depois, como nunca usamos, vamos deixando ficar e chega um dia em que temos nojo porque se calhar a empregada também nunca o limpou, e às tantas até foi usada só que não nos lembramos e, por isso, é melhor deitar fora e comprar outra, sabendo nós que o procedimento se repete sucessivamente, ano após ano.

Bom, mas para garantir que percebia a que se referia, pergunto: 

- "O quê, filho?? O que está velho?"

Ele - "Os tomates" (mantendo o ar sério e compenetrado, sempre a olhar para a sanita). 

Eu - "Porque dizes isso?" (a tentar conter o riso) 

Ele - "Estão murchos".

Nota: Este post não é patrocinado pelo WC Pato. Apesar de não perceber porquê...

segunda-feira, 7 de maio de 2018

QUERO O MEU DENTE AQUI, JÁ!!!!!!!



Mãe que é mãe está presente em todos os momentos marcantes da vida de um filho. Pelo menos sempre que pode. Mas, apesar de eu ser uma mãe praticamente perfeita, vou já avisando que este não foi o caso.

Tive de me ausentar este fim de semana e Caco Boy - reparem que a designação Baby Caco já foi à vida, por mais que me doa e me desfaça o coração em lascas. Sim, eles crescem e bem sei que agora têm 5 anos, mas um dia destes arranjam namoradas e no outro dia já saem de casa e no dia seguinte... bem, vamos ao que interessa -  dizia eu, este fim-de-semana foi com o pai a uma festa de aniversário. 

Ligou-me à tarde a dizer que tinha um dente a abanar. Nada de novo. Anda a abanar há dois meses, mas cada vez que fala nisso, fica tão eufórico que eu faço de conta que estou a saber pela primeira vez.

Ao fim do dia, a caminho de casa, entra uma foto no meu telemóvel com o meu filho de boca aberta, já sem o dente. Ao que pergunto: "Onde está o dente?". Não tive resposta.

Horas depois, ao chegar a casa, Caco Boy corre até mim numa euforia desmedida, ora porque tinha uma prenda para o Dia da Mãe, ora porque já não tinha dente, ora porque tinha saudades, eu sei lá, era por tudo junto e mais alguma coisa.

Minutos depois, pergunto: "Onde tens o dentinho, meu amor? Vamos pô-lo numa caixinha para a fada vir buscar durante a noite!!"

Baixa uma penumbra e o ambiente fica assim a modos que tenso.

O sorriso desaparece e eu penso: "F&d#-se, tu queres ver que ele engoliu o raio do dente?!?" Logo a a seguir pensei: "Mas não deve ser grave. Imensos miúdos devem engolir dentes.... Bem sei que é mal comparado, mas eu tinha um cão que comia cuecas e nunca lhe aconteceu nada. E eram as da minha mãe. Que na altura já pesava quase 90 kg. Eu digo cuecas, mas aquilo podiam bem ser Termotebes de uma criança com uns 7 ou 8 anos. Agora pensem".

Caco Boy - "Perdi o dente, mamã..."

Miss Caco - "Perdeste como, filho???!?"

Caco Boy - Na piscina de bolas.

Pronto. Estava tudo arruinado.

Eu não só não estive com o meu filho no Dia da Mãe, como ele perdera o primeiro dente da sua vida numa piscina de bolas. Ainda por cima, nem sequer foi numa piscina de bolas em condições. Podia ter sido na piscina de bolas da Disneyworld, em Orlando, ou na piscina de bolas da casa do Cristiano Ronaldo, em Pozuelo de Alarcón. Mas não, foi na piscina de bolas da.... Telepizza do Montijo.

Para remediar a situação, deixámos um bilhete à fada a explicar o sucedido e a prometer que para a próxima não esquecemos o dente. Tentei escolher uma caixa bonita, cor de rosa, digna de uma fada, mas ele insistiu que a caixa dos óculos de sol era o sítio mais apropriado.

Disse-lhe para deixarmos na mesinha de cabeceira dele. Ele não quis, alegando que tinha medo da fada, por isso era melhor deixar na minha. Eu disse que a fada era pequenina, muito tímida, tinha umas asas com brilhantes e que só entrava no quarto quando tivesse a certeza que ele estava a dormir porque tinha muita, muita vergonha, ao que ele respondeu:

"Porquê, mamã? Nós até xomos ximpáticos...".

E foi feita a sua vontade.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

É só um favorzinho...


... há por aí alguém disponível que me traga um café e o contacto do cirurgião da Fernanda Velez, do Blog da Carlota?

Agradecida.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Os três coisos no centro ficaram amazing.


O companheiro do criador de moda Valentino fez a festa de aniversário no Palácio dos Marqueses de Fronteira, em Lisboa. Entre os convidados "cá da terra" estava a Madonna, o Herman José, a Joana Vasconcelos (que agora também faz cake design) e a Celeste (irmã da Amália).

Agora, olhando assim mais de perto para o bolo, parece-me imperdoável não terem convidado a Barbie. Ou os Pequenos Póneis. Ok, não é fácil? Pronto, então o Goucha. 

Aposto que ia adorar.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Querem descobrir o que vai ser o futuro do vosso filho?


Ontem à noite, antes de dormir, contei uma adaptação da história do Aladino a Baby Caco.  Apesar de já a ter contado dezenas de vezes, quando terminei, apercebi-me que tinha uma oportunidade de ouro para "entrar" na cabecinha de um menino de 4 anos - que dá-se o caso de ser meu filho - e descobrir quais os desejos que lhe vão na alma. 

Confesso que ainda tremi, com algum cagaço que me dissesse que queria ter uma mãe igual à do Ruca, mas decidi arriscar... até porque no fundo, posso não fazer tantos bolos, mas sou um bocado mais gira e não uso bandolete.

A coisa passou-se assim:

- Olha lá, Baby Caco, então imagina só... E se o génio entrasse agora mesmo aqui no quarto e te dissesse para escolheres três desejos?!? Não era o máximo???!? O que dizias"?

- Hummm.... primeiro pedia um gelado de morango, com aquelas coisinhas vermelhas à volta, e uma bolinha em cima!!!

- Uau!! Isso era espectacular! Devia ser mesmo delicioso!!! E depois? O que pedias a seguir?

- Depois pedia para não ir à escola um dia e entrar num foguetão para ir ao espaço...

- Uau!! Isso era demais! E ias ao espaço sozinho ou levavas alguém?

- Levava o meu amigo Naveed.

- Ahhh!!! Mas, espera... ainda tens mais um desejo... É o último! Escolhe bem que não tens mais nenhum...

-  Hummm..  então pedia para crescer até ficar do tamanho do papá!

- Mas se ficasses do tamanho do papá, chegavas à escola gigante e os teus amigos assustavam-se... 

- Hummm...

(Pausa)

 - Então pedia ao génio para tirar o pó das paredes.

- O pó das paredes?!?

- Sim, aquele pó ali em cima... (referindo-se a um foco de humidade que está no canto do tecto a aguardar que os c%$#s dos condóminos aceitem avançar com as obras no prédio).

Posto isto, está feita a análise: o meu filho ou vai ser gordo, ou astronauta ou trolha. 

Tirando o gordo, nada a opor.  

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Quem se lembra do Alf que ponha o dedo no ar.


Baby Caco hoje e amanhã não tem escola, por isso, tive de o deixar em casa da mãe da minha empregada. Há pouco, apanhei-a online e perguntei-lhe se estava tudo a correr bem. Resposta:

"Eu só cheguei agora e a gata já não sabe onde se meter". 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Obrigada, Pedro.


Um certo dia, quando este blogue tinha ainda muito pouco tempo de vida e eu mal conhecia 10% das suas funcionalidades - coisa que hoje em dia não é muito diferente - reparei lá naquela área onde diz "visualizações" que tinha tido centenas num curtíssimo espaço de tempo. Achei aquilo tão estranho, que desvalorizei pensando que seria um vírus.

Passadas umas horas as visualizações continuavam a aumentar e começavam a cair likes na página de facebook. Foi nesta altura que pensei: "Bem, isto é gajo para ter algum fundamento... às tantas vou perder aqui algum tempo a ver se percebo de onde veio esta maralha toda assim de repente sem avisar". 

E foi assim que percebi que aquele "arrastão" chegou cá porque o Pedro Rolo Duarte tinha atribuído ao "Caco de Mimo" o galardão de "Blogue da Semana". Fiquei tão histérica que liguei às minhas amigas - as que sabem quem é Miss Caco - a contar e a achar que chegara finalmente a altura de mandar tudo às urtigas e preparar-me para ter dezenas de paparazzis à porta a pagar-me 3.000 mil euros por entrevista, emigrar para as Bahamas e assim passar o resto dos meus dias sem fazer nenhum. Bom, é certo que isso não aconteceu, mas o galardão do Pedro passou imediatamente para o topo do meu blogue e dali já ninguém o tira.  

Não conheci o Pedro pessoalmente. Apenas me cruzei com ele em alguns eventos e troquei umas palavras de agradecimento pela simpatia das suas palavras, ao que me respondeu de forma bastante amável. 

A parte profissional do Pedro é conhecida de todos e sobre isso, é inegável o brilhante percurso que construiu. Apesar de nos seguirmos nas redes sociais, nunca percebi que estava doente. Ou melhor, ele nunca deu sinais. Percebia-se, isso sim, o enorme amor e orgulho que tinha no seu filho.

O Pedro morreu há dois dias, mas só agora consegui vir cá falar sobre isto. Foi este blogue que de certa forma nos fez cruzar, e vai ser este também o meio que vou usar para, desta vez, ser eu a prestar-lhe homenagem.

Obrigada, Pedro.

Até sempre.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Quando os Natais deixam de ter luz.


 Dizem que é "fatal como o destino" e, a bem da verdade, de facto, é. 

Tenho 43 anos e sempre vivi a chegada do Natal com a alegria e euforia que a data merece. Para trás ficaram os anos em que era a festa dos presentes - desses já nem me lembro assim tão bem - e já há bastante tempo que, para mim, é apenas a Festa da Família. E isso é o mais importante.

Talvez por ter vivido algum tempo fora do país e, naturalmente, longe de casa, tenha aprendido a valorizar os dias partilhados com eles. Sei bem o valor da palavra Saudade.

A minha família é pequena. Acho até que é mesmo muito pequena. Os Natais em que tivemos mais gente à mesa nunca ultrapassaram as 13 cadeiras, ainda que eu não apreciasse a ideia desse "fatídico" número na mesma mesa.

No ano passado, por esta altura, já estava a fazer listas de presentes, a planear os dias de férias, a programar as idas ao norte nos últimos fins-de-semana do ano, para ir levando as prendas aos bocados, pois na mala do carro não cabia tudo de uma só vez. Provavelmente é o que a maioria de vocês também anda a fazer.

Aproveitem bem esta data. Mimem a família que têm e tratem-na bem. Cuidem dela. Vivam esta época com todo o amor que ela merece, porque a paz e a harmonia que a caracteriza não vai estar eternamente presente nos restantes 24 de Dezembros das vossas vidas.

Pela primeira vez, chego ao dia de hoje sem querer ouvir falar em presentes, sem saber onde vou passar o Natal, nem ao lado de quem. Sei apenas que, infelizmente, já não seremos os "fatídicos 13 à mesa" e que vai ser uma noite emocionalmente difícil de digerir. 

Há dias, já não sei bem onde, li uma teoria estapafúrdia que dizia que os os adultos tinham filhos para se rirem. Uma absoluta parvoíce, é certo. Mas a verdade é que, de certa maneira, neste Natal, eu sei que é no meu filho que vou buscar as forças para disfarçar o medo e a angústia da fase que estou a viver.

Se calhar, bem lá no fundo, é também isto que significa a dura "Lei da Vida".

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Obrigada, Mattell!!!


Já devem ter ouvido falar na última iniciativa da boneca mais famosa do mundo que decidiu homenagear mulheres portuguesas que tenham protagonizado "grandes feitos a nível nacional". Vai daí, toca a criar réplicas do mulherio digno desta distinção, oferecendo-lhe uma Barbie personalizada. 

Pois a minha acabou de chegaaaaaaaarrrrrrr!!!! Iuuuuupppiiii!!!! Não fiquei linda???!!??

Sempre soube que um dia alguém iria valorizar a minha capacidade de imitar a Nicole Kidman a bater palmas, daquela forma estranha na última edição dos Óscares. 

Entretanto, a Catarina Furtado - que não pode ver nada - ficou fula e não descansou enquanto não encomendou a dela. Cá para nós, mais parece a mulher do Patrick Duffy, na série "Dallas", mas prontos, cada um sabe de si...
Nota de rodapé:

(...)
Mentirinha...
Encontrei no armário da minha sobrinha.
Só não tenho as sobrancelhas pintadas, mas a franja está parecida. 
Já as galochas, são iguaizinhas. 
Juro.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Diz que na Aguda o tempo está bom.


A única coisa chata é que estão a controlar os acessos à zona da esplanada. Agora só entra quem tiver sapato branco e os lugares com melhor vista estão reservados para quem levar adereço a combinar. Sei lá, por exemplo, uma etiqueta.

Bem visto. Há que começar a seleccionar ambientes.

#crocsaopoder
#podemosusarcrocsbrancasmesmonãosendoenfermeiros

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Ele há por aqui uma vivalma que pondere mudar de casa?



Pessoas que andais por aí perdidas, à procura de um rumo ou de um poiso para procriar, que virais do avesso sites de imobiliárias - antes isso que o Tinder -, que perdeis tempo em pesquisas no OLX ou a perguntar a amigos: "Ah e tal, a zona onde tu moras é jeitosa?". 

Atenção. Pára tudo. Podem perder tempo com todas as tarefas que mencionei, menos com a de perguntar a amigos. Nenhum amigo vos vai dizer que a zona onde mora não é a melhor escolha que fez na vida. Repito: NENHUM. A não ser que sofra de D.E.S.D, aka, Distúrbio de Excesso de Sinceridade Descontrolada.

Posto isto, se há por aqui mentes que ponderem rumar para a margem sul, ou mesmo aquelas que não ponderem, mas gostem sempre de dar uma cuscada no mercado imobiliário, deixo-vos aqui o link de uma moradia supimpa, onde vivia um casal amigo que garanto a ter tratado com muito carinho, mas que vai mudar de vida e, como tal, aqui está ela lavadinha e disponível para quem pense nidificar na outra margem.

Não vou perder tempo a dizer que tem piscina, parque de diversões, uma sala de condomínio que mete muitos salões de festas num bolso, que fica num lugar altamente pitoresco, que a ponte Vasco da Gama nunca tem filas (nem em hora de ponta) que se come peixe do bom e barato,  que aquilo por aqueles lados é uma qualidade de vida que eu sei lá...

Vá, agora é só cuscarem aqui e mostrarem a amigos. Juro que não tenho comissão. Mas, vendo bem, se calhar até merecia.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Isto é de mim ou...


... a ministra Constança Urbano de Sousa é uma espécie de cruzamento - daqueles mal amanhados, com muitos desníveis no asfalto e cheios de buracos nas valetas - entre a atriz Charlotte Gainsbourg e a atleta Vanessa Fernandes?

Eu sei, querida Charlotte. Bem sei que não mereces isto e estás a par da admiração que sinto por ti, mas foi mais forte do que eu.

Adenda: Acabei de saber que a Constança é irmã de um produtor de cinema. Mais: os nomes Constança e Charlotte começam ambos por "C" e têm 9 letras. NÃO HÁ POR AQUI UMA ALMA QUE FAÇA CHEGAR ESTE POST AO FBI, VALHA-ME DEUS????!!?? 

(...)

Ok. Menos, Miss Caco, menos.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

No que depender do meu filho, o Zoo tem os dias contados.



Sim, querida girafa, bem podes fazer olhinhos que, para mim, - três visitas após - não sobra lugar para dúvidas. 

Bem sei que depois de lerem isto vão achar que sou mãe de uma criatura insensível e sem ponta de compaixão pela fauna e pela flora deste universo - confesso que por ligeiros momentos sinto o mesmo, mas depois passa - o certo é que esta foi a terceira vez que levei Baby Caco ao Zoo e a reacção foi basicamente igual, isto é, estar ali ou numa camionete carreira a caminho de Benidorm, a 15 de Agosto, sem ar condicionado, seria praticamente o mesmo.

A primeira vez tinha 18 meses. Desvalorizei. Achei que ainda não tinha maturidade para interagir com os animais. Riu-se um bocado com os macacos, é certo, mas nada mais digno de registo.

A segunda vez tinha 2 anos e meio. Pensei: Da última vez não vimos o espectáculo dos golfinhos... Desta vez é melhor almoçarmos por lá que aquilo começa às 15h00 e às 14h30 já há fila para entrar...ele vai alucinar!!!

Não. 
Não alucinou. 
A bem da verdade, nem pestanejou. 
Passou o tempo a trepar pela escadaria acima, de costas para o espectáculo, enquanto se entretinha a apanhar paus de gelado e a arrastar o lixo que encontrasse pela frente. Quando chegava lá acima fazia uma festa para olharmos para ele. Fingíamos que estávamos a achar graça, na tentativa de evitar trepar entre os parcos centímetros que separavam a tonelada de povo que continuava histérico a bater palmas ao som da Macarena. A criançada ao rubro e e ele naquele serviço, escada acima, escada abaixo. E nós a rezar para não o perdermos. Golfinhos, esses nem vê-los.

Saímos. Demos umas voltas pelo resto do parque com um entusiasmo semelhante ao dos macacos que íamos encontrando no recinto (foto ilustrativa em baixo). À saída passámos por um jardim, daqueles que têm uns arbustos com caminhos estilo "Alice no País das Maravilhas", onde ele adorou esconder-se e pedir para corrermos atrás dele. Pronto. Estava feito. Fomos, pela segunda vez ao zoo, para basicamente correr atrás do nosso filho. Animais, esses, nem vê-los. 


A terceira vez foi ontem. 

Quatro anos. Ok, agora não há hipótese, ele vai adorar os golfinhos. Vamos cedo para chegar a tempo de conseguir ficar nas filas da frente.

Logo de manhã, ao acordar, começo a criar a onda de entusiasmo

- "Baby Caco, sabes onde vamos hoje????!?!!"

- Onde, mamã?!!?? (Olhos arregalados)

- "AO JARDIM ZOOLÓGICO!!!!"

(Pausa)

(...)

- "AO ABRIGO?!?!?" (eufórico)

Abrigo? Mas que raio de abrigo? Está a falar do quê? Tu queres ver que pensa que vai à Escola de Fuzileiros do Alfeite? Mas ele nunca foi à Escola de Fuzileiros do Alfeite... Bom, deve querer dizer outra coisa qualquer... Será o nome de um animal? Não estou a ver nenhum com um nome parecido com abrigo... Formigo? Não creio... Vou fazer de conta que não percebo e mantenho esta atitude de quem vai à Eurodisney, num avião com o porão carregadinho de gomas....

 - "Isso! Vamos lá!" (há que manter o ritmo).

14h30. Chegámos. Para quê entrar pela bilheteira quando cá fora há todo um um mundo maravilhoso por descobrir, que passa por correr atrás das pombas - essa espécie tão rara de encontrar  - ou então brincar dentro do coreto com uma carrada de crianças que cismam em abrir e fechar a porta, na tentativa de ver quem entala o dedo primeiro?

Lá o convencemos a entrar. Seguimos directos para o espectáculo dos golfinhos. Já sentados, começa a  música. As crianças histéricas. Ele calmo. Estilo: "estou aqui, estou a deslizar o pandeiro por esta escadaria abaixo e ninguém me apanha tão cedo...".

- "Os carrinhos, mamã?" 

- "Que carrinhos, filho?"

- "Os carrinhos... aqueles que estavam lá fora"... (da última vez andámos naqueles carrinhos parecidos com os que há nos shoppings, estacionados mesmo em frente à zona dos golfinhos, enquanto dizíamos adeus a 2 euros por 15 minutos). 

- "Estão estragados. Todos na oficina para arranjar. Não sobrou nem um".

- "Como xabes?"

- "Perguntei ao senhor"

- "Que xenhor?"

- "O que estava lá fora à entrada do parque".

- "Num bi..."

- "Bi eu".

- "Hummmm"....

A música começa a dar-lhe forte. Qual Senhor de Matosinhos. Começam a entrar os leões marinhos, depois os golfinhos. Dão-se as piruetas, os saltos. Ele lá ia rindo de vez em quando, para não fazer desfeita. Palmas, nem vê-las. Mas no fundo, no fundo, o que eu lia nos olhos dele era: "Mas o que estamos aqui a fazer? Para onde vamos? Quanto é que os meus pais se chegaram à frente para eu estar aqui a cagar a baldar-me para esta merda?" (Não, desculpem, isto já era eu a pensar).

Mais meia dúzia de piruetas e duas ou três fanecas pelo ar. Agora acho que é a Shakira. Há pouco era o hino da Nelly Furtado. Aquele que depois de ouvirmos fica três dias na cabeça. Ele a baldar-se. O rabo estrategicamente a escorregar banco abaixo. O olhar fixo na saída.

- "Os carrinhos, mamã?"

Finjo não ouvir. 

Chamam 5 crianças à piscina para lhes cantarem os parabéns. Ele ouve. Continua sem perceber a graça daquilo. O povo canta os parabéns. Uma alegria. Tudo ao rubro. Só faltam confetis e balões pelo ar. Acabam os parabéns.

- "O que é que aqueles meninos estão ali a fajer, mamã?" 

- "Fazem anos, filho. Por isso vão ter a sorte de tocar na pele dos golfinhos".

Não reage. Se tivesse um balão em cima da cabeça, dizia: "sorte, sorte era eu pôr-me a penantes daqui para fora e estou aqui a alombar com isto como se tivesse assassinado alguém".

Não aguentei mais o sofrimento. Tirei-o dali para fora antes do espectáculo acabar. Ele, feliz da vida. Seguimos para ver animais. A maior parte deles a dormir. Sorte a nossa. Outros debaixo dos ramos das árvores, só com o rabo de fora. "Vês, filho? Está ali um tigre! Um tigre! Juro!" (Enquanto pensava, estes gajos são meninos para meter ali um rabo de um peluche velho e dá no mesmo). Os elefantes comiam dentro das casas. Vá lá, viu-se uma tromba a dizer adeus. Leões? Só nos livros. Ursos? Tinham fome. Foram procurar mel. Passarada? Era vê-la a guinchar por todo o lado. A algazarra era tanta que aposto que o Hitchcock dava voltas no túmulo. Macacos? Ok, havia alguns. Todos com um ar de seca ainda maior do que o dele.

- "Olha filho, olha este macaco bebé a olhar para ti!" E estava. Estava mesmo. Ele olhou. O macaco sentado, perna aberta. Desata a fazer xixi. Cinco minutos a rir daquilo. Xixi, Cocó e Cueca estão no Top 3 das palavras com maior teor humorístico nesta fase da vida.

Seguimos caminho. Pouco depois, já exaustos, chegámos à saída. Pronto. O martírio estava a chegar ao fim. Agora só voltávamos quando ele fizesse 18 anos e depois de assinar um termo de responsabilidade.

Subitamente:

- "MAMÃ, MAMÃ, MAMÃ, MAMÃ, MAMÃ!!!!!!!!!" O ABRIGO! O ABRIGO! O ABRIIIIIIIGO!!!!!!!!!!"

Correu desalmadamente como se não houvesse amanhã. O Abrigo estava ali! Ali mesmo! Qual oásis no deserto! À frente dos nossos olhos!!! E inteirinho só para ele!!!

O Abrigo era o arbusto onde ele se tinha escondido da última vez que tínhamos ido ao Zoo. 

O Abrigo era um arbusto. Sim, ouviram bem. Um arbusto. Daqueles que têm um buraco no meio e dá para se meterem lá dentro. 

De repente, tudo fez sentido. 
Ou não.


O Abrigo é este arbusto redondo aqui ao canto esquerdo. Não se vê, mas tem um buraco lá dentro que é das coisas mais divertidas de todos os tempos e galáxias. Dizem... 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

4 anos, 8 meses e 3 dias depois, a pergunta finalmente chegou.


E chegou da forma mais inusitada de todas.

Foi ontem à noite, enquanto o chamava para lavar os dentes e ele, tal como faz todos os dias com o único objectivo de ganhar tempo, diz: "Mas mamã, eu ainda quero comer quauquer coija"

Eu: "Pauzinhos"?

Ele: "Xim, paujinhos" 

Vou à despensa buscar grissinos. Percebo que são os últimos. Amanhã tenho de ir ao Pingo Doce na hora de almoço. Isto sou eu a pensar. Quer dizer, (isto sou eu a pensar).

Dou-lhe os grissinos e sigo para a casa de banho, enquanto ele fica na sala "a acabar de ver os bonecos e a comer os paujinhos", à mesma velocidade que uma tartaruga faz o percurso Gondarém/São Mamede de Infesta, ao pé-coxinho, em dia de chuva, com piso escorregadio.

Dou-lhe 5 minutos até começar a chamar por ele, já da casa de banho, e a ameaçar que amanhã não se vai conseguir levantar e blá, blá, blá, todos aqueles argumentos que as mães usavam connosco e que nós estamos a replicar, porém, com a certezinha absoluta de que não servem para rigorosamente nada, mas antes isso do que agarrá-lo pelos cabelos e enfiar-lhe a escova pela boca a dentro. 

Até porque é capaz de ser contraproducente. 

Minutos depois, entra na casa de banho. Fica parado à porta e diz:

- "Mamã, porque não temos um filhinho?"

(Sinto 5 artérias coronárias a romper ao mesmo tempo)

Eu: "Um filhinho, como?"

Ele: "Sim, um filhinho... um bebé na barriga".

Sai repentinamente, talvez para fazer algo urgente, como, por exemplo, garantir que deixou o carro dos bombeiros dentro da garagem, não vá chover durante a noite.

Entra de novo, minutos depois. Eu sem pinga de sangue, a tentar articular a resposta que lhe vou dar no momento que voltar à carga. 

Opto pela Estratégia de Ataque, pela Estratégia "Vai perguntar ao teu pai" ou pela Estratégia Política?

Escolhi a última: engonhar e disfarçar. E, no limite, mentir. Se tiver mesmo de ser. Se não tiver, mentir na mesma.

Eu: "Vá, vamos lá lavar os dentinhos... olha que giro que é o crocodilo da tua escova!!".

Dou-lhe a escova já com a pasta, ele mete-a na boca e começa a esfregar. Pára segundos depois.

- "Mamã..."

(Medo)

Eu: "Sim..." (com três nós de marinheiro enfiados na traqueia e uma broa de Avintes) 

- "Esta pasta de dentes é delichioja".

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Obrigada, meu Amor.


Um dos principais propósitos da criação deste blogue foi registar recordações da evolução do meu filho, para que um dia a memória não me finte e eu acabe por deixar cair estes pequenos milagres no buraco do tempo.

Tenho 43 anos e estou na pior fase da minha vida. Sinto-me a morrer por dentro. Todos os dias. Nunca sei bem de onde vêm as forças para suportar. Sei que um dia isto vai ter um fim - até isso o tempo consegue - mas sei também que nunca mais trará de volta a pessoa que fui. Não sei se serei melhor, se serei pior, sei apenas que serei outra pessoa.

Mas vamos ao que interessa. 

Adormeço o meu filho todas as noites. A rotina era a habitual, a mais comum e que todos nós, pais, conhecemos.

De há uns tempos para cá, e quase sem me aperceber, mudou. Baby Caco passou a querer adormecer sempre da mesma maneira: deito-me ao lado dele, puxa a minha camisola de pijama para cima, o suficiente para poder encostar a cara dele à minha pele e fazer da minha barriga almofada. Às vezes lá fica um bocadinho de tecido à frente da pestana, mas ele vai com as mãozinhas e puxa-o de novo para cima para garantir que sente só a minha pele. Foi ele que assim decidiu e que tomou a iniciativa, sem nunca se falar muito no assunto. Um dia. Depois outro, e a seguir outro, até se ter tornado norma.

Entendo este gesto como um querer estar mais próximo de mim, da barriga de onde lhe lembro tantas vezes de onde saiu. Trocamos as frases de sempre que eu inicio e ele repete a seguir. Sempre de forma intercalada."Até amanhã, meu amor""Amo-te muito". "Daqui até à lua","A mamã vai tomar sempre conta de ti". Na última noite, já de olhos fechados e pela primeira vez, acrescentou: "Para tudo o que prechijar". Sim, meu filho, para tudo o que precisares. E ele fica ali o tempo suficiente, até os caracóis ficarem suados e a pele quase colada na minha, até a respiração ficar mais calma e eu perceber que finalmente adormeceu. Faço umas acrobacias para o colocar na posição normal, sem o acordar. 

É sempre assim que terminam os meu dias. No meio da angústia que me consome todas as horas, tenho este pedaço de céu ao cair da noite, que me lembra que ainda há motivos para continuar de pé e lutar. 

Deixo isto aqui registado para que um dia, quando te transformares num menino mais crescido, poder lembrar-me de te agradecer. Certamente nessa altura já me esqueci do suor dos teus caracóis colados na minha barriga, ou das palavras que trocávamos, mas quero poder lembrar-te da importância gigante que tiveste para eu continuar firme quando tudo parecia ruir. 

E se, mesmo assim, ainda perguntares:

- "Gigante como, mamã? Como o génio da lâmpada mágica?'.

- "Gigante como o amor que nos une".

- "Daquele que vai daqui até à lua?".

- "Sim, meu amor. Daquele que vai daqui até à lua".

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Vim cá para vos falar de um assunto sério.



Quem por aqui costuma andar, sabe que isto costuma ser um antro de rambóia, mas desta vez venho cá, especialmente, para vos falar de um assunto sério.

Também já devem ter reparado que o Caco está mais adormecido do que alguma vez esteve, mas por outras razões de ordem pessoal que talvez um dia ache por bem falar. Ou não.

Este é outro assunto. É um apelo e é bastante sério. A minha melhor amiga precisa de ajuda e tenho esperança que este post possa servir também para ajudar alguém que precise de trabalho, por isso, porque não aproveitar este meio para o divulgar? 

A história é esta: ela mora na zona da Maia e precisa de alguém para tomar conta da mãe no período 12h30/19h30 (este horário poderá ser ajustado) durante os dias úteis. Esta pessoa terá de ser de confiança absoluta, visto a senhora a ser cuidada ter problemas de ordem psicológica, precisando, por isso, de acompanhamento permanente. Não é uma pessoa agressiva (muito pelo contrário), mas não se encontra capaz de executar tarefas básicas como cozinhar ou gerir a casa.

As funções desta "cuidadora" passarão por cozinhar, limpar a casa, ajudá-la a tomar banho (ainda consegue tomar sozinha, mas precisa de apoio), a vestir-se, levá-la a consultas ou a passear. Para isso, é necessário que tenha carro, more preferencialmente na zona da Maia, seja carinhosa, tenha alguma paciência, bom senso e sobretudo honestidade.

Se algum de vós conheceis alguém com este perfil, por favor deixem mensagem nos comentários deste post. 

Muito obrigada.  

Até breve e obrigada por ainda estarem por aí, ainda que, nos últimos tempos, apenas a acompanhar o meu silêncio.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Portugal a marcar pontos.


Esta quarta-feira, 3 de maio, o elenco de "Modern Family" reuniu-se no Wolf Theatre, em Pasadena, California para assinalar o final da oitava temporada da série.

Depois do Albano Jerónimo e do Ivo Canelas serem escolhidos para participar em séries internacionais, confirma-se uma vez mais que Portugal está realmente na moda.

Achei muito interessante esta ideia de darem uma oportunidade à Ana Malhoa. Não sei bem qual o papel que lhe atribuíram, mas, pelo ar, é capaz de ser cartomante....

P.S. - Não sei de quem é o vestido, mas diz que as pestanas foram postas no Salão da Belinha, em Freamunde.  

terça-feira, 11 de abril de 2017

Das operações infelizes.


Pois que se este blogue tem servido para falar bem (ok, se calhar, nem sempre), chegou a hora de falar mal. Neste caso, de falar muito mal.

A coisa passou-se agora mesmo e passo a relatar: estou eu aqui sentadinha no meu local de trabalho e eis que tocam à campainha. A colega vai abrir e como não estou longe da porta, percebo que se gerou ali, subitamente, um ambiente de euforia, com muitos risos à mistura, tudo a falar alto e de forma excessivamente alegre. Devo destacar que a colega que abriu a porta tem uma personalidade bastante discreta, portanto, tudo indicava não ter sido ela a iniciar o festim.

Minutos depois, entram pelo openspace a dentro um rapaz e uma rapariga com muito boa apresentação, bastante simpáticos, com uma espécie de geladeira ao pescoço e a perguntar, passo a citar, "então quantas bolas eram". A aproximação foi de tal forma "galhofeira" que aquilo não levantou qualquer dúvida de que se tratava de uma ação promocional.

Toca tudo a escolher se queria creme, se não queria, e a galhofa continuava instalada. Quando já estava o escritório todo servido, eis que a rapariga diz, no mesmo tom carnavalesco: "Ora, então com creme é um euro e vinte e sem creme é um euro". Começámos todos a rir, convencidos de que estavam a brincar e de que aquilo não passava de uma piada de relativo mau gosto.

Só que não. A moça estava mesmo a falar a sério. É nesta altura que fica aquele ambiente desconfortável, meio mundo de queixo caído e ainda meio apardalado com o que tinha acabado de acontecer, ao mesmo tempo que puxa da carteira, quando, a bem da verdade, tinham era vontade de enfiar as p%#s das bolas pelos olhos a dentro daqueles palhaços. Eu incluída.

E pronto. Toma lá que já almoçaste. E agora, assim de repente, o que tenho a dizer sobre isto?

Shame on you, Bolas da praia. Shame on you.