quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Quando os Natais deixam de ter luz.


 Dizem que é "fatal como o destino" e, a bem da verdade, de facto, é. 

Tenho 43 anos e sempre vivi a chegada do Natal com a alegria e euforia que a data merece. Para trás ficaram os anos em que era a festa dos presentes - desses já nem me lembro assim tão bem - e já há bastante tempo que, para mim, é apenas a Festa da Família. E isso é o mais importante.

Talvez por ter vivido algum tempo fora do país e, naturalmente, longe de casa, tenha aprendido a valorizar os dias partilhados com eles. Sei bem o valor da palavra Saudade.

A minha família é pequena. Acho até que é mesmo muito pequena. Os Natais em que tivemos mais gente à mesa nunca ultrapassaram as 13 cadeiras, ainda que eu não apreciasse a ideia desse "fatídico" número na mesma mesa.

No ano passado, por esta altura, já estava a fazer listas de presentes, a planear os dias de férias, a programar as idas ao norte nos últimos fins-de-semana do ano, para ir levando as prendas aos bocados, pois na mala do carro não cabia tudo de uma só vez. Provavelmente é o que a maioria de vocês também anda a fazer.

Aproveitem bem esta data. Mimem a família que têm e tratem-na bem. Cuidem dela. Vivam esta época com todo o amor que ela merece, porque a paz e a harmonia que a caracteriza não vai estar eternamente presente nos restantes 24 de Dezembros das vossas vidas.

Pela primeira vez, chego ao dia de hoje sem querer ouvir falar em presentes, sem saber onde vou passar o Natal, nem ao lado de quem. Sei apenas que, infelizmente, já não seremos os "fatídicos 13 à mesa" e que vai ser uma noite emocionalmente difícil de digerir. 

Há dias, já não sei bem onde, li uma teoria estapafúrdia que dizia que os os adultos tinham filhos para se rirem. Uma absoluta parvoíce, é certo. Mas a verdade é que, de certa maneira, neste Natal, eu sei que é no meu filho que vou buscar as forças para disfarçar o medo e a angústia da fase que estou a viver.

Se calhar, bem lá no fundo, é também isto que significa a dura "Lei da Vida".

15 comentários:

  1. Infelizmente conheço muito bem essa sensação. O tempo não cura a dor mas ajuda a atenuar. E é muito verdade que são as crianças que nos ajudam a continuar a sorrir. Muita força!

    ResponderEliminar
  2. Estive 2 anos sem fazer árvore de Natal...isto diz tudo.

    ResponderEliminar
  3. Respostas
    1. Beijinhos, Ana. Também gostava de te ver.

      Eliminar
  4. Um dia destes falei do mesmo. Já lá vão 2 anos, será o 3º Natal e continua a ser dificil. Estou a melhorar mas demora.

    Beijinho

    ResponderEliminar
  5. Também eu passei a detestar o Natal.
    De uma mesa composta passámos a ser poucos. Muito poucos.
    E queres saber o que é mais triste?
    Estão todos vivos e de saúde.
    Então porque é que passou a ser assim?
    Porque sim.
    Porque as pessoas não medem as consequências das palavras e dos atos e há um dia, o saco enche e a rutura dá - se.

    Há que saber lidar com isso da melhor maneira possível. No meu caso, arranjei uma estratégia parva mas que tem resultado.
    Sou fraca com a bebida e quando "abuso" acontece uma de duas coisas :
    1- adormeço
    2- digo tanta m___@ que os presentes acabam por embarcar na onda e, quando damos por isso, é hora de abrir os presentes.

    Preferia mil vezes hibernar de 23 de dezembro a 2 de janeiro mas como isso não é possível, já tratei das bebidas.
    E pronto.É isto.
    ( e sim, quando há pequeninos é tudo mais...fácil)

    ResponderEliminar
  6. para mim o Natal deixou de existir há 6 anos...
    é só mais uma noite.

    ResponderEliminar
  7. Como te compreendo...o meu Natal de há uns anos a esta parte, perdeu toda a força e luz...de uma família de 13 pessoas, em 8 anos ficou reduzida à minha mãe e à filha de 6 anos...
    Desejo-te muita força e envio-te um miminho grande nesta fase complicada da tua vida.

    ResponderEliminar
  8. Na minha mesa de Natal, éramos sempre 8. Hoje somos 4, os Natais vão passando e nós vamos perdendo a alegria para o festejar, porque se olha para as cadeiras vazias, e fica o silêncio, a nostalgia. Mas como dizes, a lei da vida às vezes é dura sim. Mas é o que encontrámos cá e assim será até que o último membro também parte. Este teu texto fala o que ninguém às vezes gosta de falar.

    (Linda homenagem ao Pedro)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada pelas tuas palavras, Mena. Se te referes ao Pedro Rolo Duarte, infelizmente nunca o conheci pessoalmente, mas, em tempos, premiou o meu blogue como "Blogue da Semana" e isso foi uma enorme alegria e motivo de orgulho para mim, de tal forma que copiei as suas palavras no meu blogue. Foi uma enorme perda e ainda me custa a acreditar como a vida pode ser tão injusta. Beijinhos

      Eliminar

Deita cá para fora!