sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Das Pessoas da nossa vida.


Este saco de pinhões e a pedra que está ao lado têm cerca de dez anos de vida. Encontrei-os este fim de semana no mesmo sítio onde os guardei há dez anos. Tirei a foto, voltei a fechá-lo e coloquei no armário onde estava.
 
Não sou muito de guardar recordações - odeio ocupar a casa com tralhas - mas este saquinho foi-me oferecido por uma das Pessoas da minha vida que apesar de - por razões pessoais  - ter deixado de visitar,  será sempre muito especial.
 
Esta Pessoa chama-se Maria e foi uma "espécie de sogra" durante alguns anos. Digo uma espécie de sogra porque, na verdade, ela não tem nada a ver com a imagem comum das sogras. Felizmente esta sorte acompanhou-me e a minha atual sogra é também uma pessoa encantadora com quem mantenho uma ótima relação. (E não, isto não é graxa, porque ela não lê este blogue).
 
A Maria foi, sobretudo durante um período em que vivi fora do país, uma verdadeira Mãe e sobre isto não preciso entrar em grande detalhe. 
 
A Maria é uma pessoa única. É talvez um dos exemplos mais bonitos que conheci de resistência à adversidade, integridade, honestidade, mas sobretudo de uma capacidade interminável em demonstrar amor pela família, pela natureza, pelos animais.
 
Dela guardo recordações de afeto absolutamente maravilhosas que nunca mais esquecerei. Aos domingos, quando vinha embora de sua casa, onde passei muitos fins-de-semana, trazia caixas de cartão onde ela colocava os legumes que plantava, sempre aconchegados com folhas de videiras. Era comum chegar a casa e, ao retirá-los, perceber que tinha deixado um raminho de flores ou de ervas aromáticas lá pelo meio. Acho até que estes pinhões foi assim que vieram. 
 
No primeiro dia em que dormi em sua casa, estando a mais de 1500 km de casa dos meus pais para iniciar um projeto que me fez estar afastada da família durante um ano - e sem me conhecer de lado nenhum -  deixou-me um chocolate em cima da almofada.
 
Aos fins de semana, quando acordava e descia para a cozinha, a Maria tinha feito sumo com as laranjas que colhia no quintal e que deixava guardado para mim. No Outono, fazíamos passeios de jipe pelas florestas ali à volta e apanhávamos cogumelos que ela grelhava com sal na perfeição. Nunca mais esquecerei estes sabores e o valor destes afetos.
 
Hoje, dez anos depois, recordo a Maria com muita saudade. Sei que vamos falar no Natal como sempre fazemos. Que vamos falar em Janeiro no meu aniversário e que vamos falar em Fevereiro no dela. Sei também que a nossa relação não será mais aquilo que foi pela proximidade física que é difícil assegurar pelo facto de vivermos longe uma da outra. 
 
Mas, dez anos depois, sei que no meu coração pode passar uma vida inteira que os meus sentimentos por ela serão sempre tão sólidos e intactos como a pedra que acompanha estes pinhões.

4 comentários:

  1. R: Obrigada pelas tuas palavras.
    É a atitude mais sensata a tomar, mas nem sempre é fácil. Como ainda n tenho a minha própria família, os outros ainda se acham muito no direito de se meter na minha vida...
    Fico feliz por teres ultrapassado isso :)

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  2. É linda essa relação que tens com a Maria! E de certeza que ela mantém os mesmos sentimentos por ti, pois pelo que li nunca cortaram esse cordão umbilical postiço. São afetos que ficam para sempre! Também sinto isso em relação a algumas pessoas, cujas relações e contactos infelizmente ficaram pelo caminho.

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Deita cá para fora!