sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Juro que não é para vos estragar as férias


 
Esta criatura que aqui vos escreve e que já viajou por três continentes, por mais de 20 países (grande parte dos quais mais do que uma vez, sem contar com as ilhas), a certa altura, pelo caminho, ganhou medo de andar de avião. Quer dizer, na verdade não é bem medo, porque medo é o mesmo que cagaço, miaufa e isto é menino para estar mais perto do pânico, da fobia, do terror absoluto. Coisa para que um simples "Porto-Lisboa" me deixe a hiperventilar e com suores frios durante uma semana.

Nas últimas viagens, o processo tem sido basicamente este: durante as horas em que me encontro dentro daquele avião inferno, procuro usar todas as técnicas para tornar a experiência o menos penosa possível. A mais comum é pensar em várias coisas diferentes ao mesmo tempo, tarefa para a qual, modéstia à parte, até tenho algum jeito.

O problema é a que a minha mente é muito selectiva e os temas que escolhe resumem-se a três ou quatro, nomeadamente o atentado às Torres Gémeas, a queda do Airbus da Air France em pleno oceano Atlântico, o acidente com os jogadores de rugby na Cordilheira dos Andes, ou a série "Mayday, Desastres Aéreos" do National Geographic.

Resultado: num instantinho, já oiço o motor a desligar-se, vejo as luzes dos alarmes a acederem-se e os sorrisos das hospedeiras transformam-se em tentativas frustradas para mostrar que tudo está bem quando, na verdade, estão a fazer contas de cabeça a ver se têm máscaras para todos. Só eu sei a aflição em que fico. Sim, porque isto da gente pensar que vai para a terra dos pés-juntos nos minutos que se seguem, é suficiente para deixar qualquer um mal-disposto.

Portanto, no que toca a alargar horizontes, vejo o meu futuro a embrutecer e a viajar para o leque de terras que se situam entre a Fuzeta e Travanca. Resta-me ver os "Portugueses pelo Mundo", na RTP, e passar a aceitar os convites de amigos para ir lá a casa ver fotos das férias.

No limite, posso sempre sentar-me e esperar que passe.

11 comentários:

  1. Ainda tenho esperança que passe tão depressa como chegou :-)

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  2. Ai rapariga, que pensamentos mais macabros... mais vale tomares um comprimidinho para relaxares.

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  3. Sei bem do que falas. Tenho verdadeiros ataques de pânico a bordo... A ultima vez que voei foi com comprimidos... E mesmo assim, cheia de medo.

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  4. Xaxia, haja alguém que me entende:-)

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  5. Provavelmente é só uma fase, daqui a uns tempos o medo passa ou, pelo menos, diminui até se tornar suportável. Depois de uma viagem cheia de turbulência para os Açores que culminou numa aterragem complicada, também passei por uma fase em que me enervava mais, apesar de a coisa nunca ter chegado a pânico nem a nada que se parecesse com isso. Curiosamente, também me dava para imaginar desastres e para planear, mentalmente, o que faria caso acontecessem uma série de coisas assustadoras, até que um dia, uns anos depois, o avião em que eu estava passou meia hora a sobrevoar Barcelona porque não conseguia aterrar devido à enorme afluência de aviões e a uma desorganização enorme. Uma senhora, nos bancos à frente dos meus desmaiou de terror e tudo e foi aí que eu percebi que não estava minimamente nervosa e que o medo me tinha passado. Provavelmente isso também vai acabar por te acontecer :)

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  6. havias de voar com saída de Nova Iorque e na descolagem o avião parece que paira no ar umas 30 vezes, do género parece que estás parada nuns semáforos, só k aqui não estás em terra firme....nada como uma boa refeição a bordo, tipo salmão no forno e esqueces tudo...

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  7. Deus te oiça, Anaa!

    Rui Soares, bolas, isso deve ter sido mesmo horrível!!

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Deita cá para fora!