sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Diz que abriu há dias. No Porto.

 
É oficial. O meu telemóvel que andava a dar sinais de fraqueza há uns meses, acabou de falecer este fim de semana. De maneiras que agora só consigo atender chamadas quando o rei faz anos, escrever notas é mentira, ler sms é coisa para demorar dez minutos (esta manhã fiz a linha vermelha do metro inteirinha até conseguir abrir uma mensagem), já para não falar na quantidade de vezes que fica para ali sozinho a escrever coisas estranhas, tipo isto:
 
ssssssssss#########mmmmmmmmmmmmmmxxxxxxxxxxxxxxxxccccccccccrrrrrrrrrrrr66666666666666$$$$$$$$$$$$$$$99999999999999»»»»»»»»»»»»
 
Bom, mas quem tem um blogue tem tudo. Por isso, não tendo bloco de notas no telefone, este post é só para guardar aqui o contacto de uma loja que quero visitar quando for passar uns dias ao Porto no Natal. E a loja é esta. Bem sei que é espanhola, mas parece-me um amor e coisa para ter muita pechincha e da boa.
 
Para não perderem tempo, tomem lá e não digam que vão daqui:
 
Muy Mucho
Rua Fernandes Tomás, nº 765 (na zona da Baixa)
96 107 53 25

Queridos senhores dos CTT,


Bem sei que isto é tudo muito lindo, que agora estão muito à frente, que têm um logotipo muito moderno - estilo "descubra as diferenças" de tão igual que é ao anterior -, que até vendem livros, tupperwares, agendas, peluches, cartas de tarot, CD´s, Santo Antónios daqueles às cores, de tão modernos que são, e mais um par de botas.  
 
Sei também que os meninos devem continuar a mandar cartas ao Pai Natal como manda a tradição, mas, se não se importam, queria só que me respondessem aqui a uma coisinha... É muito rápido. Depois podem ir logo a correr às vossas vidinhas que certamente a esta hora há muita gente de senha na mão a chamar-vos nomes daqueles feios.
 
Então é assim:
 
PORQUE RAIO É QUE AS P#%AS DAS MÁQUINAS DE SELOS NUNCA FUNCIONAM, CAR&"l&O??!!!?!!? 
 
Há dois anos e meio que as estações dos CTT da 5 de Outubro e do Parque das Nações quando confrontadas com esta questão respondem: "Estamos à espera do técnico". Ora, minha gente, está visto que o técnico foi comprar tabaco e não volta.
 
Portanto, aqui fica a minha sugestão: pelo menos neste mês contratem um duende ou dois, que o Pai Natal nem vai dar pela falta, e ponham-nos cá fora a despachar selos. Um vende, outro dá trocos. Se forem finos, arranjem ainda um terceiro que fique ao lado, caladinho, só a segurar na caixinha das ofertas natalícias e com sorte ainda facturam mais nisto do que a vender andorinhas. Ou Santo Antónios, vá. 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

É mesmo Filho da Mãe.


Baby Caco está outra vez doente. A quarta no último mês e meio. Mas este post não é para falar da febre, nem do soro que não lhe consigo meter no nariz, nem do termómetro que não deixa pôr debaixo do braço, nem do xarope que não há maneira de lhe enfiar pela goela, nem do circo que é tentar meter-lhe um supositório.
 
Este post é para contar um episódio revelador. Muitas vezes dou comigo atenta ao seu comportamento, a tudo o que diz ou que demonstra pensar, numa tentativa de entender o menino em que se vai tornar. O feitio que vai ter. A personalidade que vai moldar este meu pequeno homem.   
 
Sei que ainda é cedo para perceber, mas, para mim, entendo este episódio que vou contar como uma pequena revelação.
 
Baby Caco, por estar doente, não comia nada, mas há uma coisa que adora: tomate cherry. Quando já tinha tentado que comesse tudo e mais alguma coisa, tendo sempre o não como resposta, joguei a última cartada e ofereci-lhe tomate cherry. Respondeu imediatamente que sim, ou melhor, que "xim" neste diálogo adorável:
 
- Baby Caco, queres aqueles tomates bebés?
- Xiiiimmm!!!!
Dirijo-me à cozinha e ele fica sentado no sofá da sala. Segundos depois:
- Mamã!!!!!
- Sim, meu amor...
- Quero têz!!! (Quero três).
- Sim, a mamã leva três.
(Um minuto depois)
- Mamã!!!!!
- Sim, meu amor...
- Quero xinco, xeis!!!
- Sim, a mamã leva seis.
(Meio minuto depois)
- Mamã!!!!
- Sim, meu amor....
- Quero tantos!!!! ("Tantos" para ele é sinónimo de muitos).
 
E pronto. Está visto. Baby Caco é mesmo filho da Mãe. E só podia ser mesmo filho desta mãe, porque Baby Caco quando gosta, não gosta por metade. Baby Caco quando gosta, leva tudo pela frente. Não gosta muito. Gosta demais. Não quer metade, quer tudo. De uma só vez.
 
E só espero que esta característica sirva para não desistir nunca de perseguir os seus sonhos. Que não se resigne a viver por metade. Que tenha sempre motivação para querer o mundo, ainda que venha a descobrir que vai demorar muito mais do que alguns minutos a alcançar.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Agarrem a pista!!!!!!


Isto aqui em cima é o meu filho a invadir uma montra no Centro Comercial Colombo (sim, bem sei que foi um comportamento suicida ir ao Colombo no fim de semana, mas a razão era de força maior e o certo é que sobrevivi).
 
Esta invasão deu-se porque Baby Caco acabara de descobrir o inacreditável mundo das pistas. Ficou possuído e depois desta cena não havia quem o arrancasse de frente da montra, enquanto gritava: "Quero pixta, mamã!!! Quero pixta!!!".
 
A única forma de o tirar de lá foi dizer-lhe que a mãe tem uma pista linda em casa e que por isso tínhamos de ir depressa para a montar. Lá veio. Adormeceu no caminho. Cheguei a casa. Deitei-o. Acordou uma hora depois, saiu da cama, veio ter comigo à sala e ainda estremunhado, com os cabelos desalinhados e de mãozinhas a esfregar os olhos, disse: "Mamã, a pixta??!".
 
Tremi. Não havia pixta. Era urgente encontrar uma, sob pena do meu filho me chamar caloteira até ao fim dos meus dias. Puxei pela cabeça e lembrei-me que tinha umas pecinhas de madeira que estive quase a deitar ao lixo por não servirem para nada mas que, naquela altura, pareceram-me verdadeiros diamantes. Fui buscá-las e disse com o ar mais seguro que consegui arranjar: "Anda filho, vamos montar a pista!!".
 
O resultado foi este:
 
 
Ok, não foi brilhante, mas também tinha uma garagem articulada (feita com um passe-partout meio estranho que andava por lá, que não se vê na imagem porque ele já a tinha mandado abaixo entretanto). O certo é que serviu para fazer render o peixe umas boas duas horas. 
 
Mas enfim, como isto foi uma solução temporária, havia que encontrar uma pista verdadeira. E a pista foi encontrada. No Lidl. Por 25 euros e é esta aqui em baixo. À parte, vendem mais umas ambulâncias e uns carros de bombeiros que tornam a coisa ainda mais interessante. Não sei se ele vai gostar tanto como daquela que viu no Colombo, mas certamente vai achar que é uma pista a valer, sobretudo sempre que se lembrar da que fizemos no fim de semana. 
 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Das coisas que me fazem rir logo pela manhã.


Top 5 das Balelas

 
1 - "Os opostos atraem-se" (até pode ser nas primeiras duas semanas mas, mais tarde ou mais cedo, acaba sempre por dar merda);
 
2 - "O que não te mata torna-te mais forte" (quem inventou esta devia levar com uma betoneira na moleirinha enquanto dorme que mudava de ideias num instantinho);
 
3 - "O Natal é uma época de paz" (passem a ceia sentados ao lado da minha tia Alzira e depois falamos);
 
4 - "Temos de marcar um café" (AKA ligo-te no dia em que as galinhas tiverem dentes);
 
5 - "No próximo mês vou inscrever-me no ginásio" (Não vais. É uma mera verbalização na tentativa de enganar o cérebro e poder continuar alapado a enfardar Ferreros Rocher como se não houvesse amanhã).

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

"Mamã, onde extá a tua pilinha?"



Esta é já a segunda vez, no último mês, que fico em casa para cuidar de ti. Estou a gastar os dias de férias que não tirei no verão, mas, apesar de não saberes, estão a saber-me melhor do que três meses no resort mais procurado das Caraíbas.

Neste preciso momento, estás sentado ao meu colo enquanto escrevo estas palavras. Sei que queres aproveitar estes dias para estares o máximo de tempo junto a mim, mas faço-o só porque não quero esquecer o que tenho para te dizer. Perguntas-me: "O que extás a fajer, mamã?". Digo-te que estou a escrever uma carta para ti, enquanto faço malabarismos para não me apagares o texto.

Quero que saibas que não há preço para os momentos que me tens proporcionado. Estes dias serviram para te ensinar a fazer sopa, para fazermos biscoitos pela primeira vez, para perceber que já sabes o nome da nossa rua, que dizes "tantos" quando queres dizer "muitos", que gostas do sabor da romã ou que ficaste a saber o que era o Natal enquanto decorámos o primeiro pinheiro juntos.

Há minutos, enquanto tomávamos banho ao mesmo tempo pela primeira vez, perguntaste-me: "Mamã, onde extá a tua pilinha?". Eu sorri, como faço sempre que me surpreendes com o milagre do teu crescimento, e expliquei que sou menina e tu és menino e que, por isso, somos diferentes.

Sei que o tempo passa a correr, a uma velocidade assustadora, mas sei também que em breve, vou ter saudades que me faças perguntas, daquelas que ainda sei responder. Tenho medo dos dias em que não serei capaz de acalmar os teus receios, em que não saberei dar resposta às tuas angústias. Agora, ainda pensas que sei tudo e assim será por mais algum tempo, mas um dia não te vou saber dizer se as coisas más nos acontecem por acaso ou se o nosso destino já estava traçado e não temos forma de fugir a ele.

O que mais peço é que tenhas a sorte de desfrutar de muitos momentos felizes ao longo da vida, mas, sobretudo, que tenhas a resiliência necessária para ultrapassar os dias menos bons, aqueles em que não vou saber dar-te as respostas que precisas.

Entretanto, saíste da mesa e aproximas-te agora, feliz, com o teu boneco novo. Saíram-lhe as meias. Dizes-me que tem frio e pedes-me para lhas calçar. Eu sorrio com algumas lágrimas a cair-me no rosto. Percebes e dizes-me: "Mamã, tens j´água..." e eu respondo: "Sim, meu amor, foi de tomar banho...".

"Eu não sabia, mas o destino quis que eu fosse tua mãe".
Forrest Gump

 
A fazer xopa.
 
 
A fajer bizcoitoj.
 
 
A fajer a árvore de Natal.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Apresento-vos...


As novas embaixadoras da Anjelif: a sorte grande, a terminação e a querida da Helena Isabel.

Que se acuse...


... quem olhar para este cartaz e não pense em coisas porcas menos sérias.

Bem me parecia.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

EU NÃO QUERO SABER DE PIPIS!!!

 
 
Já vou avisando os mais púdicos que hoje é melhor ficarem por aqui, vão até ali à cruzinha do canto, cliquem e sigam as vossas vidas como se isto não tivesse acontecido. O resto, se não tiver medo de ficar traumatizado, pode ficar para ouvir.
 
O que vou contar prende-se com o meu mais recente inferno desafio: o regresso ao ginásio.
 
Pois na semana passada, ao chegar ao balneário depois de uma hora de castigo, dirijo-me ao meu cacifo e percebo que, surpreendentemente, mais de uma dezena de mulheres decidiram fazer o mesmo, sendo que o resultado era uma data de mulherio a despir-se e a vestir-se num mísero metro quadrado. 
 
Para as mentes masculinas, isto será certamente o nirvana do regabofe, mas para nós, mulheres, era só arranjar meia dúzia de ciganas e num piscar de olhos transformava-se na feira de Custóias. Ainda hesitei se deveria tentar enfiar-me ali no meio da galinhagem ou fazer outra coisa qualquer mas, de repente, no estado miserável em que me encontrava, não me ocorreu nada melhor para fazer do que tirar aqueles trapos suados e enfiar-me no primeiro chuveiro que encontrasse.
 
Assim fiz. Agarrei em mim e tentei encolher-me o mais possível para caber no pouco espaço que me restava. Ao meu lado, tinha gajas aos molhos - umas suadas, outras de banho tomado, umas gordas, outras magras, umas de slips, outras de cu ao léu. Enfim, de tudo, como na farmácia. Vai daí, decido sentar-me nos 3 cm de banco disponíveis, ao mesmo tempo que fazia acrobacias para tentar tirar as tralhas do cacifo. Se conseguem imaginar a cena, estando eu sentada, o meu campo de visão esbarrava precisamente com a zona dos pipis de quem estava de pé.
 
Pois eu não faço ideia qual é o vosso comportamento nestes ambientes, mas quando me dispo em lugares públicos - coisa que felizmente não é assim tão frequente - não gosto de andar para ali propriamente a badalar o berbigão pelas redondezas.
 
Qual a minha surpresa, quando a fulana que estava imediatamente à minha frente, pelada como veio ao mundo, decide escarrapachar a pássara na frente dos meus olhos, enquanto discutia alegremente o tom da base com a colega do lado. Inicialmente pensei: vou fingir que isto não está  acontecer e continuo nesta espécie de treino para o Cirque de Soleil, mas sem respirar. Rapidamente percebi que era tarefa inglória. Não só porque tinha um pipi a rir-se para mim a um palmo do meu nariz, como aquilo não era um pipi qualquer.
 
Digamos que era mais um mexilhão, daqueles que se apanham nos mares do caranguejo real do Alasca. Uma coisa nunca vista. Gigantesca. Digna de um documentário no National Geographic. Na verdade, não era bem só um mexilhão. Eram dois mexilhões. Dos grandes. Não, dos gigantes. Tamanho XXXL. Daqueles que nos questionamos como é que ela consegue correr sem tropeçar neles.
 
Com muito esforço, lá consegui despir-me, enfiar-me no chuveiro - de água fria a ver se apagava aquela imagem da cabeça - e vim à minha vida. Felizmente recuperei e, até ver, ainda não tive pesadelos com pipis gigantes a correr atrás de mim até me atirar no primeiro penhasco que encontro, mas confesso que tremo só de pensar na ideia de voltar ao balneário.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Digam olá ao Senhor Castanha!

 
Baby Caco levou um amigo novo para o magusto de hoje no infantário. Para quem tem curiosidade em saber, aqui ficam os ingredientes deste momento DIY: 
 
- cartolina em cor amarela torrada (porque não tinha em castanho)
- tesoura para recortar os olhos, a boca e o chapeú, todos em cartolina de outras cores (a tampa do iogurte serviu de molde para recortar os olhos)
- cola para aplicação
- tampa de iogurte para fazer o nariz
- fita cola para colar o nariz porque a cola não vale um chavelho e hoje de manhã o nariz já estava caído no chão;
- rafia preta para fazer o bigode.
 
Preparação:
 
Corta-se todos os elementos no escritório e leva-se para casa. No fim do jantar, dizemos: "Baby Caco, bora fazer uma castanha para levares amanhã à festa das castanhas?!!?"
 
Baby  Caco (convencido de que aquela ideia surgiu naquele preciso momento): "Chiiiiimmmmmmmm!!!!" (Baby Caco fala um bocadinho "chopinha de macha").
 
Sentámo-nos à mesa, escondi todos os elementos soltos na cadeira ao lado e deixei apenas a "base" da castanha, enquanto dizia: "Isto é uma castanha!!! Agora o que falta na castanha?!?".
 
Ele olhava para mim pasmado, enquanto certamente pensava que a mãe tinha endoidecido de vez.
 
Eu continuo: "Na cabeça? O que falta na cabeça? O que é que as pessoas põem na cabeça??!?"
 
Baby Caco sorri e permanece em silêncio. Por esta altura já tinha confirmado a suspeita anterior. 
 
Eu: "As pessoas na cabeça metem chchchchch......." (repetir o som até que se faça luz na pequena cabecinha).
 
Baby Caco: "Chapéus!!!!!!"
 
Este é o momento em que gritamos: "Siiiimmmmmmm!!!!" e, por golpe de magia, tiramos o chapéu que estava escondido na cadeira ao lado. Colamos o chapéu e prosseguimos o enredo:
 
"Agora, depois do chapéu, o que falta na cara da castanha?!?"
 
O procedimento mantém-se. Silêncio. Apontamos para os nossos olhos. Depois para os dele.
 
Baby Caco: "Ojolhos!!!!!"
 
E por aí fora até a obra estar completa. Fácil, não é?
 
Ora essa. Não têm de agradecer.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Sobre a perda.

 
Ontem morreu o avô da minha colega de trabalho que é também minha amiga. Hoje é certamente um dos dias mais infelizes da vida dela, da mesma maneira que há pouco mais de um ano foi também um dos meus, pela mesma razão. 
 
Ontem descobri também, por um acaso, um texto lindo sobre aquilo que descreve - a meu ver numa perfeição desconcertante - o que é a perda e como deve ser sofrida. Alguma vez na vida, todos esbarramos com ela. É inevitável. Seja por uma morte, uma separação ou um divórcio, mas à dor da perda, talvez das mais difíceis de suportar, é impossível fugir.
 
É também por isso que quero partilhar este texto brilhante. Porque não há consulta de terapia que nos explique melhor o que está a acontecer dentro de nós e como é que isto se combate. Como é que se faz para não deixarmos que nos derrube. Porque não há um comprimido que ajude a passar. Porque os amigos consolam-nos mas não curam. Porque não há copos ou jantares que nos façam esquecer a ausência por um minuto que seja. Porque dói muito quando nos deitamos a querer esquecer e acordamos a não querer lembrar. Dias. Semanas a fio. Porque não conseguimos parar a catadupa de perguntas que colocamos em busca de respostas que nos sosseguem, que nos expliquem o porquê de aquilo estar a acontecer.
 
E sobretudo porque é preciso aceitar que a perda (seja ela de que natureza for) não se supera em dias. Não passa em semanas, nem em meses. Às vezes, se calhar na maioria delas, são precisos anos. E é essencial sabermos que é assim mesmo que as coisas se passam. Que tudo isto é normal. É a ordem natural das coisas. Saber que demora, que dói, que corrói, que leva tempo, demasiado tempo, que vai deixar marcas, mas que um dia, vamos ser capazes de olhar para trás e perceber que ultrapassámos, que conseguimos finalmente respirar de alívio e ter a nossa vida antiga de volta.
 
Machucada, dorida, mas de volta. Que voltamos a ter dias em que não precisamos fazer esforços hercúleos para não pensar. Para não lembrar situações, conversas, datas, mensagens, de forma obsessiva à procura de uma resposta que nunca chega.  Que aquela dor enfraqueceu, perdeu tamanho, apesar de ficar ali, sentada, quieta, como uma velhinha que fica a viver em regime de aluguer vitalício na nossa memória.

Na verdade, há muito pouca coisa que possamos fazer. É um combate duro, violento, arrasador, mas que tem de ser feito por nós e sozinhos, com consciência de que o tempo é o nosso único aliado. É preciso esperar. É preciso saber esperar. E para quem sofre, esperar, só esperar, será sempre um caminho lento, solitário e, sobretudo, demasiado penoso.

"Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar".  
Miguel Esteves Cardoso

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Hoje é dia de festa!!


Bem sei que isto tem andado mais morto do que vivo, que, se olharem com atenção, até são capazes de encontrar algumas teias de aranha ali junto ao header, mas como ainda há dois dias atrás era Halloween, confesso que tinha esperança que pensassem tratar-se de decoração, mas enfim... a verdade é que está na hora de voltar à barraca e - como dizia o Chico - meus caros amigos, eu não podia ter arranjado melhor pretexto para regressar em grande, porque a notícia que tenho para vos dar é absolutamente bombástica.
 
E calma. Não é nada relacionado com a candidatura do Marcelo a Belém, com a falta de acordo entre PS, PCP e BE para apresentar uma moção de rejeição ao programa do governo, com o facto do Fernando Pinto ter sido ouvido ontem pela Polícia Judiciária, com a possibilidade dos Pearl Jam actuarem em Portugal em 2016, com o sururu à volta da nova música da Adele ou com a história da outra que largou o namorado só porque lhe deixou fugir o gato.
 
Nada disso. Rufem os tambores. O que venho aqui dizer é muito mais interessante que qualquer um desses fait-divers. Meninas e meninos, senhoras e senhores, bem sei que lá fora está a cair um toró, mas aqui na blogosfera o céu está azul e o sol brilha de contente.
 
Abram a garrafa de champanhe que tinham guardada na arrecadação, lancem confetis, ponham o vossa música preferida aos berros, vistam o vosso outfit favorito, vão para a janela gritar e liguem à melhor amiga a avisar porque a situação assim obriga.
 
Prontos? Então cá vai:
 
O Pés voltoooooooooouuuuuuuuu!!!!!!!!!!!!!    

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

6 razões para não pôr os penantes na Pull & Bear.

25,99 €

 25,99 €

35,99 €

35,99 €

 39,99 €

49,99 €

Só para ficar escrito que...


... se daqui a 15 anos o meu filho se transformar num insurreto e eu tiver de o ir visitar ao fim de semana à prisão de Custóias por ter sido apanhado, encapuzado, a rebentar a casa da vizinha à biqueirada e com duas G3 em riste, a culpa é destes coelhos.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Eu juro que não embirro com a rapariga...


... mas que raio de cabelo é este???!!?
 
A franja não é franja, nem deixa de ser. O ondulado, não é ondulado, nem deixa de ser. As pontas uma desgraça. Por mim, diria que desfrisou e correu mal.
 
Mas isto sou eu que percebo tanto disto como da apanha do mexilhão.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

E por onde andou Miss Caco no fim de semana?

 
 
Foi fazer a maratona? Não. Foi passar a tarde a malhar no ginásio? Errado. Foi levar o carro à revisão? Frio. Foi cortar o cabelo igual ao da Beatriz Gosta? Ainda mais frio.
 
Miss Caco andou a lagartar pelo Alentejo e foi recarregar energias ao Sobreiras Country Hotel, um pequeno paraíso, situado perto de Grândola, o que significa que de Lisboa até lá é um pulinho e não há cá jet lag para ninguém.

Eu podia ficar aqui eternamente a falar-vos maravilhas deste tesouro escondido, mas acho que não é preciso porque podem saber tudo aqui, neste magnífico artigo da revista Fugas. Por mim, digo-vos só que saí de casa no sábado de manhã, fui almoçar um arroz de langueirão de comer e chorar por mais na Tasca do Gino, em Alcácer do Sal, que tem uns empregados amorosos, daqueles que queremos trazer para casa, e uma comida excelente que também dá vontade de perguntar se têm take away.
 
Terminei o almoço e quando dei por ela, já estava aqui: 

 
 
Os quartos ficam nestas casinhas. Isto é, cada casinha é um quarto e o interior tem uma decoração moderna e minimalista que é um sonho. Não tenho fotos porque devia tê-las tirado à chegada, com tudo arrumadinho, mas quando me lembrei já tinha as malas abertas e o estaminé todo montado. Se tiverem muita curiosidade, vão espreitar ao site.
 
 


 
Baby Caco aproveitou já que estava ali e fez o catálogo Outono-Inverno da Zara Kids.

 
Este é o restaurante e também o local onde servem os pequenos-almoços. A vista é para a zona da piscina.
 


 

 

 
Eu não disse que era um paraíso? Vá, ide e depois contai.
 
Ah! No sábado fui jantar um javali com castanhas ao Talha de Azeite, no centro de Grândola. Também gostei muito, mas se fosse ficar mais dias, acho que teria ficado no hotel porque o ambiente à noite é um verdadeiro sonho.
 
Além disso, Baby Caco deu para fazer uma birra gigante e desatar a espernear no meio das mesas enquanto arrastava aquelas coisas antigas onde se guardavam as azeitonas e que agora não me lembro o nome. Foi nessa altura que pensei que se tivesse ficado no hotel, punha-o a contar as bolotas que rodeiam o edifício e certamente resolvia o assunto mais depressa.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Não sei qual é a vossa relação com a cozinha...

 
... mas eu cá parece que ando cada vez com menos ideias sobre o que fazer para jantar. Sabem aquelas fases em que já vão abrir o frigorífico arrastadinhas e parece que andam sempre a comer o mesmo?
 
Há dias, comentei isto com uma amiga que me falou que quando isto lhe acontece vai a este site e procura para lá uns vídeos para tirar ideias. Esta semana decidi lá ir cheirar e, de facto, aquilo dá jeito porque é muito intuitivo, está separado por entradas, sopa, carne, peixe, sobremesas, sopas, saladas, risottos, etc, o que facilita porque não andamos por ali a passarar a perder tempo e vamos logo directos ao que interessa.
 
Depois de entrarmos na secção que queremos, encontramos vários vídeos, muito curtos e simples, a explicar cada receita muito rapidamente. Só ainda experimentei o risotto de espargos que ficou uma delícia, mas para quem tem crianças, se forem espreitar a secção "Sobremesas", encontram por lá umas ideias bem giras e divertidas para o Halloween, como estas "bananas-fantasma" e "tangerinas-abóbora" ou um suculento sangue de vampiro.
 
 
Ainda no campo das "festividades", Miss Caco descobriu outra novidade em primeira mão. Parece que a You Cook vai organizar uns workshops infantis de Natal para ensinar as crianças a cozinhar o lanche do Pai Natal. Não é amor de ideia?
 
Vão ser em Novembro, no IKEA de Alfragide, e tanto quanto consegui cuscar, não vale a pena desatarem a ligar para lá porque as inscrições ainda não abriram. De qualquer forma, há que estar atento porque vão ser feitas pelo próprio IKEA e acho que costumam esgotar num ápice.
 
Vou estar em cima do pedaço e quando souber alguma coisa, venho cá contar. Quem sabe não é desta que nos encontramos por lá? Prometo que levo um avental chiquérrimo. Sem nada por baixo.

Aviso só que é para não levarem os maridos. Para quê correr riscos, né? Pois.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

É hoje.


Meus anjos,
 
Fiz um ar feliz para parecer que estava motivada com a mudança e comecei ontem à noite o processo de mentalização. Concretamente no preciso momento em que fui à arrecadação buscar o trolley para enfiar lá para dentro aquilo a que, inicialmente, apelidei de "duas ou três coisas". "Ah, isto é só meter os ténis e a roupa do ginásio que não ocupa espaço nenhum". Mentira. Não é.
 
É os ténis. Mas também é as meias. E as cuecas. E o soutien. E o top. E as calças. E um casaco desportivo porque vou fazer a avaliação com o personal trainer e quando estivermos ali na parte teórica - em que vou explicar que não mexo uma palha há mais de três anos - se calhar tenho frio. E também é os chinelos. E o elástico para o cabelo. E o cadeado. E um saco para meter os ténis. E outro para os chinelos. E mais um para meter a roupa suada. E o gel de banho que não perguntei se o ginásio tinha. Mas tem de ser uma embalagem pequena porque isto, parece que não, mas também pesa. Olha, não tenho embalagem pequena. Que se lixe, levo o gel de banho de Baby Caco que sempre é mais leve. E um saquinho pequeno para meter a roupa interior separada. E já nem falo em maquilhagem. Quero lá saber, venho embora assim mesmo como vim ao mundo. Quem é lindo pode dar-se a este luxo.
 
Pronto. Agora acho que está tudo. Afinal o trolley é boa ideia porque se fosse um saco era mais um para vir a alombar. E para isso já basta marmita. E a minha carteira com a parafernália de merdas que trago lá todos os dias, porque no dia em que decido tirar algo é sempre esse o dia em que me faz falta. Como o batom de cieiro. Anda comigo 365 dias por ano, mas é só no dia em que mudo de carteira que me faz falta.
 
E pronto. É agora. Vai ser agora. Daqui a meia hora. Rezem por mim.

A ver se me aguento até ao Natal.

F&%$-se! Esqueci-me da garrafa de água.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Tenho uma coisa a dizer.

LIKE.

É oficial. Tenho uma nora.


Sexta-feira. 9 de outubro. 11h50.
 
Tudo começou com ela a saltar e a gritar um histérico: "Sou eu! Sou eu! Sou eu!!!", de resposta à minha pergunta: "Quem é o melhor amigo de Baby Caco?" no dia em que fui à escola contar-lhes uma história.
 
Desde aí tudo evoluiu. A educadoras e a ama, que o vai buscar todos os dias, começaram a dizer-me que se escondiam no refeitório, que não se largam, que ela é doida por ele e que ele reage muito mal quando, para o provocarem, lhe dizem que a Laura é feia.
 
Hoje, ao contrário do habitual em que o deixo no hall de entrada  do infantário, calhou de o levar até à sala. Lá estava ela. Sentada na cadeira, mesmo em frente à porta. À espera dele. Assim que o viu, rasgou um sorriso gigante e abriu-lhe os braços para o receber. Ele, mais tímido, caminhou até ela e ficou parado um palmo em frente ao seu rosto. Quieto. À espera de mimo. 
 
Aproximei-me para ver melhor e disse-lhe: "Olha, meu amor, a Laura estava com saudades tuas".
 
Ele, sorriu, olhou para o chão meio envergonhado e deixou-se abraçar por ela. Eu ainda disse: "Vá, dá-lhe um beijinho" ao que ele responde: "Vai emboa", que é o mesmo que dizer: "Baza daqui. Já.".
 
A Laura tem 4 anos. Mais um ano e meio do que ele. Mais dois palmos de altura. A Laura é a minha primeira nora.
 
Bem sei que esta pequena paixão não vai certamente durar além deste outono, mas, para mim, o que interessa é que, ao dia de hoje, ele ainda não sabe quantas letras tem a palavra amor, mas eu já sofro pelos amores que ele ainda não viveu. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Da série "A minha vida não é só glamour".

 
Podia dizer-vos que decidi matar saudades e fui almoçar ao Café Marly.
Mas não.
Isto é só Picoas e fui renovar o cartão de cidadão.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Decisão acabadinha de tomar.


Bem sei que ainda não chegamos ao fim do ano para avançar com mudanças nas nossas vidas, mas, contra todas as previsões, acabei de tomar a minha decisão de Outono.
 
Sim, é verdade. Quem me conhece está certamente de queixo tão caído como eu.
 
Miss Caco vai voltar ao ginásio. É certo que será só duas vezes por semana e na hora de almoço, mas a decisão está tomada e já não há volta a dar.
 
Wish me luck. 

Nota: Devo acrescentar que toda a vida disse que não percebia as pessoas que conseguiam ir ao ginásio na hora de almoço. É o que dá cuspir para o ar.