quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O meu menino de amor.

 
Baby Caco fez dois anos e desconfio que podem passar mais duas décadas que vou continuar deslumbrada com este milagre da vida.

Não são poucos os dias que dou comigo a olhar para ele, a observá-lo sem que perceba que o estou a fazer, e a pensar comigo própria como é que tudo isto é possível. Sim, eu sei, é meio ridículo, mas é a mais pura das verdades.

Fico fascinada a analisar as reacções, a tentar perceber que personalidade terá. Se perde muito tempo a tentar colocar uma peça de um puzzle no sítio certo, fico a pensar que vai ser uma criança persistente, se, no minuto seguinte, desiste facilmente de alcançar a chupeta em cima da mesa, penso que afinal poderá ser impaciente. Dou comigo a absorver os seus comportamentos, as reacções, a imaginar a criança e depois o adulto que se tornará.

Não tenho espaço para um amor maior. Este menino tão pequeno e que já inunda toda a minha existência. O meu menino a quem encosto os lábios no pescoço à noite enquanto lhe dou o biberon; o meu menino a quem mordo os pés sempre que mudo uma fralda; o meu menino a quem beijo a boca sempre que adormece; o meu menino que me faz vibrar quando solta uma gargalhada ou quando franze a testa todas as vezes que insiste em comer limão. 
 
O meu menino que sorri eufórico, sempre que adivinho o que quer alcançar; o meu menino que se deita ao meu lado no tapete da sala e tenta imitar os movimentos quando faço flexões; o meu menino que me pede a mão para adormecer; o meu menino que se despede de mim à janela todas as manhãs; o meu menino que me morde as pernas todas as vezes que me vê nua e que gosta que o deixe passar creme com aquelas mãozinhas pequenas.  
 
O mesmo menino a quem sempre que dou a mão na rua, olho para o reflexo que fazemos nas montras só porque, dois anos depois, ainda preciso confirmar que tudo isto é verdade. O mesmo menino que estou a ver crescer incrédula e num deslumbramento eterno que parece não ter fim.
 
O meu Menino de Amor. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Ouvido na hora de almoço.

 
"Tirava-te a pele e comia-te às postas".
 
Meeeeeedddooooooo......

Como se dá cabo de uma vida em três tempos.

 
Uma das minhas inúmeras qualidades é ter muito jeito para me rir de mim própria. Na verdade, não me levo nada a sério e é frequente rir-me sozinha das parvoíces que faço.
 
Isto que vos vou contar, apesar de agora me dar uma relativa vontade de rir - falo daquele riso nervoso, não é aquele riso de mandar tudo abaixo - aconteceu ontem à noite e podia muito bem ter dado origem a algo mais grave, graças ao gigantesco susto que apanhei. Portanto, dou-me por feliz por ter conseguido ultrapassar, e sobretudo por ter evitado passar a madrugada na CUF a fazer exames ao coração.
 
Ora bem, Miss Caco tem o facebook pessoal e o facebook aqui da barraca. Miss Caco criou o blogue há um ano e tal e, parecendo que não, isto dá muito trabalho a gerir. Também já abri uma conta no twitter, andei por lá dois ou três dias, fartei-me, pus-me a andar e quando Baby Caco nasceu dei os primeiros passos no Instagram.
 
Achei graça àquela cena dos filtros, tirei umas dezenas de fotos, fui à minha vida e caguei para aquela cena. Nunca mais lá fui e nem sequer tinha bem a certeza se ainda lá estava. Abri conta pouco tempo depois do miúdo nascer e nessa altura as hormonas fodem-nos um bocado a memória, de maneiras que, para mim, aquilo estava morto.
 
Ontem, nem sei bem a que propósito, deu-me para ir confirmar qual era a minha verdadeira relação com o Instagram e, meus caros, o que vi ia-me matando. Acho que me safei por uma unha.
 
Abro aquela espécie de mural de fotos, ou lá como se chama aquela merda, dou  com uma catrefada de fotos do miúdo em modo rato (eu disse que abri aquilo dias depois dele ter nascido) e no meio daquilo, pasmem, o que é que encontro??!!?.
 
As minhas mamas. Sim, ouviram bem. Eu disse MAMAS. Ainda por cima, não eram umas mamas quaisquer. Eram as MINHAS. É certo que não pareciam nada, porque estavam com o dobro do tamanho, mas eram as MINHAS MAMAS, ali escarrapachadas para meio mundo ver.
 
E como é que foram aqui parar? Pois, não sei. Quer dizer, até sei. De uma forma resumida, que a minha vida não é isto, eu praticamente não consegui amamentar porque Baby Caco não queria saber delas para nada. A verdade é que foi preciso ter um filho para arranjar finalmente um homem que não tivesse interesse nas minhas mamas.
 
Vai daí, decidi ligar para uma coisa chamada SOS Amamentação e no dia seguinte tinha em casa uma santa para ensinar o meu filho a mamar. Três horas depois, e comigo já a suar em bica, morta por acabar com aquela tortura, a mulher finalmente conseguiu a proeza e ficou tão extasiada (ela e eu) que pegou no meu telemóvel e disse-me que ia tirar uma foto para recordação. Na altura, estava tão doida com aquilo que nem me passou pela cabeça para onde raio é que aquela foto ia parar.
 
De maneiras que foi isto. Um susto de morte, porque na verdade, neste momento, não sei se meio mundo me viu as mamas ou o que raio se passou ali. Sei que passei uma hora a apagar aquilo tudo e não quero ouvir falar de Instagram tão cedo.
 
Pior do que isto só me lembro daquele dia em que estava de baixa, prestes a dar à luz, e me acordaram às três da tarde a avisar para tirar do meu mural algo parecido com: "Fulana de tal (eu) pesquisou Tudo Sobre o Toque Vaginal". Se quiserem saber como dei cabo da minha reputação num abrir e fechar de olhos, é só ler isto

Da série "Coisas parvas que se fazem enquanto se espera pelo metro"


Diz olá à prima.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Porque há homens que nunca nos desiludem.


Podem passar mil anos que duvido que encontre um homem que me encante com as palavras como este senhor.
 
Agora é esta. E de todas as vezes, é como se fosse a primeira. Fico sempre esmagada pela forma arrebatadora com que me deslumbra. 
 
Fosse ele giro e estava o caldo entornado.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Miss Caco foi ao cinema.


Eu sei. O título deste post não tem interesse nenhum. "Ok, foste ao cinema... e daí?", perguntam vocês. Daí que, apesar de parecer uma actividade comum para a maioria dos mortais, experimentem ter um filho com a família a 300 km e depois falamos.
 
Mas passemos à frente. Fui ver o "3 Coeurs", um melodrama francês com Catherine Deneuve, Charlotte Gainsbourg e Chiara Mastroianni (curiosamente faz de filha de Catherine, sendo que na vida real são mãe e filha de verdade. O pai é, como o nome indica, o ator italiano Marcello Mastroianni).
 
Gostei. Gostei da ideia de estar no cinema descansada da vida, sabendo que Baby Caco estava bem entregue, mas gostei ainda mais do filme. É sobre os acasos da vida. Sobre aqueles pequenos momentos que nos acontecem, mas que têm a capacidade de conduzir o rumo das nossas vidas em aspectos determinantes.
 
Gosto deste tipo de filmes em que podemos analisar a forma como o ser humano reage perante situações limite. Neste caso em concreto, em contextos que envolvem sentimentos como a paixão e o amor entre irmãos. Gosto de ser convencida pelas interpretações e de imaginar o que faria naquela situação. Na verdade, o encanto do cinema também é isto. Permite-nos sair das nossas vidas e viajar por outras.
 
O filme é um pouco lento, mas não deixa de ser menos absorvente por isso. Dá-nos tempo para reflectir, para observar os detalhes. Tendo vivido em Paris, para mim foi uma oportunidade de regresso ao ambiente da cidade, aos cafés, às ruas, ao maravilhoso e esmagador Jardin des Tuileries que é um ponto fulcral nesta história.
 
Mistura dúvidas morais com ligações românticas, num triângulo amoroso capaz de levar qualquer um à loucura. O fim não é feliz, mas também, convenhamos, quantas são as histórias de amor ou paixão que terminam bem? 
 
E depois tem a cereja em cima do bolo: a Charlotte Gainsbourg (filha dos ícones Serge Gainsbourg e Jane Birkin, que protagonizou "Ninfomaníaca") e que do alto dos seus 43 anos, me parece que, não sendo uma mulher bonita, tem um estilo rebelde e aparentemente despreocupado que adoro.  
 
Vejam lá se não tenho razão:

 
 






 
Na apresentação do filme no Festival de Veneza:
 
 
 
 
Charlotte e os pais, Serge Gainsbourg e Jane Birkin, 1970.
 
 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Quarenta e um.

 
Kate Moss faz hoje a idade que Miss Caco fez a semana passada.
 
Já tenho o rabo. Só me falta uma cadeira assim. 
 
Ah! E os sapatos. Também me faltam os sapatos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Aquele momento...

... em que um cliente nos fala num projecto que não tem puto de relevância no universo que vai para além das pessoas que estão a trabalhar nele (e mesmo para estas, tenho dúvidas), pede uma estratégia de comunicação sabendo que aquilo consegue ter menos interesse do que os meandros da pesca à corvina e, não contente com isto, envia um e-mail a solicitar reunião com a entidade parceira para que possamos dar-lhe alguns inputs, "graças ao  know-how que temos nesta área".
 
Perante isto, o que fazemos é:
 
a) pegar no telefone e dizer-lhe que o nosso know-how diz-nos para esquecerem o assunto e continuarem com a vida deles, fazendo de conta que nada aconteceu;
 
b) fingir que aquilo tem alguma perspectiva de sucesso, embora reduzida, e que vamos fazer os possíveis para obter os melhores resultados, mesmo sabendo que vai ser um fiasco;  
 
c) ir à reunião e dizer-lhes na tromba que há coisas mais interessantes para ocuparem o tempo (o deles e o nosso), exemplificando, como se fossem crianças, com recurso a algumas ilustrações.
 
d) dizer que o problema não é deles. É nosso e que é melhor que esta relação fique por aqui porque precisamos de tempo para reflectir e encontrar-nos outra vez.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Proud.


Esta é a capa do I de hoje. Da autoria de um designer grego que decidiu homenagear Ronaldo inspirando-se na azulejaria portuguesa.

Em baixo, está a capa da próxima edição do Charlie Hebdo, a primeira pós-ataque à redação que terá três milhões de exemplares e será vendida em Portugal.
 
No site do jornal é possível ler três das razões que levaram os sobreviventes a prepará-la:

Porque o lápis estará sempre acima da barbárie…;
Porque a liberdade é um direito universal…;
Porque vocês nos apoiam….
 
O próximo Charlie Hebdo vai sair exatamente uma semana depois dos ataques dos irmãos Kouachi.

Confesso que a mim também me deixa com uma lágrima no canto do olho. Não só por tudo o que envolve esta tragédia, mas sobretudo pela nobreza do seu significado.
 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Chegou tarde mas juro que vale a pena.

Bem sei que é suposto que os blogues tenham alguma actualidade e por este prisma não faz qualquer sentido que eu venha para aqui falar nisto agora, mas a verdade é que esta pérola, datada de finais de 2013, só me veio parar às mãos ontem e achei tão hilariante que não posso deixar de mostrar àqueles que, tal como eu, viviam nas trevas quanto a este assunto.

Basicamente o videoclip aqui em baixo, do cantor Kanye West, permite-nos vê-lo a fingir uma berlaitada fajuta contracenar com a mulher, Kim Kardashian, sendo que o resultado é das coisas mais manhosas que vi nos últimos tempos, capaz de fazer corar a nossa querida Ana Malhoa que mesmo turbinada chuta isto para um canto.

Ora então caguem para os cavalos selvagens que aparecem no início e vão directos ao minuto dois que prometo que não se irão arrepender. O que se segue é uma simulação de conotação sexual do mais piroso que há, num cenário que tem tanto de amador como de kitsch.
 
Não sei se o mais ridículo é o nível de qualidade da produção, se as estrelas cadentes que cruzam o firmamento, a fazer lembrar o Reino de Deus, se a cara de cama que a desgraçada tenta fazer num ambiente tão mal recriado que, com jeitinho, até conseguimos ver as ventoinhas a soprar-lhe na tromba. 
 

Apesar de tudo, não está tudo perdido. Segundo parece, Miss Caco não terá sido a única a ter esta opinião. James Franco e Seth Rogen, actores do tão falado "The Interview", acharam o mesmo e não perderam tempo a criar isto que podem ver aqui em baixo. E vejam lá se não está tão bom...
 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

É preciso ter galo.

 
 
Ele há 365 dias no raio de um ano inteiro e tinha de ser logo ontem, que começou este filho da mãe deste frio de rachar, que o puto do ar condicionado aqui da empresa tinha de avariar.
 
De maneiras que ainda não tirei o casaco desde que cheguei, tenho o cachecol à volta da cabeça, só com os olhos à mostra, estilo terrorista, (o que até me parece apropriado tendo em conta a atualidade) e ainda estou para perceber como é que não me caíram as pontas dos dedos.
 
Portanto, basicamente hoje sinto-me como estes veados que vêem aqui em cima, mas sem galhos (espero).

Na dúvida, hoje trouxe dois pares de meias, não fosse o técnico falhar. Coisa que felizmente não aconteceu e portanto agora trabalha-se com o chão do escritório cheio de peças de um ar condicionado desmontado, um homem - quem nem sequer é giro - a entrar e a sair para ir buscar ferramentas e um frio de rachar cornos a carneiros.

Não tenho foto das meias para ilustrar, mas tenho esta das minhas calças de ganga novas que tirei esta manhã e que bem sei que não tem nada a ver com esta história, mas sempre me pareceu um pouco mais gira do que os meus pés.

 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Filhos da puta.


"Je préfère mourir debout que vivre a genoux".

Stéphane Chabonnier (Charb), director da Charlie Hebdo, uma das doze pessoas que perdeu a vida hoje.

Je suis Charlie. Pela liberdade. Sempre.

Olha-me este agora.

 
É que estou mesmo a ver a cena...

Este chegou ao fim do ano e pensou: "Eh pá, às tantas o Sócrates tem razão e eu, apesar de não estar preso, também devia fazer alguma coisa só para o pessoal não deixar de falar em mim em 2015.... Mas, assim, tipo o quê?

Subo o monte Nanga Parbat, no Paquistão? Não... isso o João Garcia já fez...

Fecho-me numa casa durante três meses só com animais e sem qualquer contacto com o exterior? Não... isso a TVI também já fez... 

Tenho um affair com um gajo mais velho, vamos juntos para Nova Iorque e dou cabo dele com um saca-rolhas? Não... diz que já há um filme com esse enredo...


Ora então, o que é que Miss Caco acha disto? Acha que, a ser verdade, das cinco, uma:

- Zuckerberg não dorme;
- Zuckerbeg tem capacidades paranormais;
- Zuckerberg está a fazer-se ao lugar de Marcelo Rebelo de Sousa;
- Zuckerberg não tem vida própria;
- Zuckerberg além de não ter filhos, não prevê fazê-los em 2015.

Caso o meu raciocínio esteja errado, então, sou forçada a crer que Zuckerberg vai fazer batota e tenciona ler apenas os resumos.

Agora haja alguém que diga a esta alma que está a tentar terminar o "Diz-me quem sou", da Julia Navarro, há cerca de dois anos - calma que o livro mais parece o Book of Kells, já sobreviveu a três destruições de marcadores da autoria de Baby Caco e tem para cima de quilo e meio, o que me impede de o levar para ler nos transportes públicos - que NÃO É POSSÍVEL passar um ano inteiro a mandar abaixo um livro por quinzena.
 
Agradecida.

Pergunta que se impõe.


A Dulce Pontes está de regresso para cantar ou para lançar as profecias de 2015?

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Só eu sei...

 
... o que sinto ao olhar para estas fotos. 
 
(...)
 
É que o meu 25 de dezembro também foi feito disto, num sítio que é só meu.
 
E sim, como qualquer gaja que se preze, Miss Caco também tem modo lamechas.
 
Olhem... já que estão aí sem fazer nenhum, tragam-me lenços, por favor.
 









Ide fazer queixinhas, ide.

 
Pela quantidade de músicas que ando a sacar ilegalmente com entrada directa para o meu iPod, sem passar sequer pela casa de partida nem receber os dez euros, não sei como é que ainda não estou na Carregueira a esfregar ladrilhos.
 
Vá, agora mandem cá o polícia moreno, malhado, com 1,90 m e de óculos Ray Ban que entrou ontem de manhã na estação de metro de Cabo Ruivo para me prender, só assim a ver se eu deixo.
 
Shame on you, Miss Caco. Shame on you...   



segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

3...2...1... zero!!!!!!!!!


Podem respirar de alívio e deixar a terapia de grupo. Não avisei antes porque não vos queria estragar as férias, mas aquela treta do: "Olá, chamo-me Teresa e estou há doze dias sem ler posts novos no Caco...", não vos ia levar a lado nenhum...

Foi um sofrimento, bem sei, mas há males que vêm por bem e depois desta ausência, se ainda aqui vêm e estais mortinhos de saudades tal como eu, é porque a nossa relação está mais sólida do que nunca.

Prendam os cães, guardem o leite creme e escondam os maridos.

Miss Caco voltou. E é para partir a loiça toda.

Bom ano!

domingo, 21 de dezembro de 2014

Miss Caco vai dar de frosques.


Miss Caco vai dar de frosques uns dias. Vai passar o Natal ao norte, por isso, antes de ir, achou por bem vir cá avisar-vos de que acha que não terá grande oportunidade de vir aqui mandar filetes, porque o mais provável será ter de os fazer no tablet (tarefa inglória que está a ter agora) e tem pouca paciência para esta lentidão.

De qualquer forma, animem-se que não está tudo perdido. Miss Caco continuará a postar coisas sem interesse nenhum - e várias vezes ao dia, que a ideia de vos deixar sozinhos apavora-me - na página de facebook. Olha, era mesmo este o momento que eu devia fazer aqui o link (só Deus sabe como vocês são preguiçosos), mas... fazer links no tablet? Ahahahah!  No way.

De maneiras que quem ainda não se amigou do Caco naquela coisa inventada pelo Zuckerberg, é ir ali à coluna da direita e clicar naquela ceninha azul que meti lá de propósito para o efeito.

Posto isto, é domingo, são 8h30 e em vez de pôr o sono em dia estou aqui a fazer pela vossa vida... Bom, que mais? Assim de importante, só estou a ver pedir-vos para tentarem disfarçar quando receberem aqueles presentes da treta que só servem para ocupar espaço na arrecadação. É o mínimo que podem fazer.

Vá... agora vão para dentro que está frio.

Feliz Natal e caguem nas passas que aquilo não faz nada e só serve mesmo para enjoar. É isso e o bolo-rei. Blhacc.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

#olhadesculpataoboa#paramandarabaixoaquelatravessadefilhoses#queseestaarirparamim#


Sai um valente tiro no pé.


Gosto da Time Out. Gosto do estilo, das sugestões, das ideias de sítios a conhecer, de lojas a visitar, de restaurantes a não perder, de saber o que ainda aí de novo, enfim, do espírito da revista, mas ontem não pude deixar de tropeçar nas dezenas de comentários que saltavam na página de facebook em torno deste assunto. 
 
Para quem não sabe do que estou a falar, a Time Out sugeriu a compra de um cão para dar de presente este Natal. Um labrador, à venda pela módica quantia de 600 euros, na loja Reino dos Bichos, no Centro Comercial das Amoreiras.
 
Soube desta história por aí. E fiquei a pensar o que terá acontecido para aquela gente cometer uma asneirada destas. Onde é que o editor estava com a cabeça na hora em que deixou passar esta merda? Como é que isto pode ter saído assim, sem ter havido durante todo o processo de produção dos conteúdos uma vivalma que dissesse: "Eh pá... espera lá... na volta, esta cena aqui de sugerir comprar um cão, com tanto bicho abandonado, a passar fome e a precisar de colo não faz mesmo sentido nenhum...".
 
Não, Time Out. Lamento, não faz mesmo sentido nenhum. É muito mau, totalmente descabido, a roçar o desprezível.
 
Agora estás a levar na cabeça. E não vejo jeitos de te ver descalçar esta bota com alguma dignidade. E sabes de uma coisa? No fundo, até tenho pena porque gosto de ti. Quase que me sentia tua amiga. E se formos bem a ver, o que fazem os amigos? Defendem-se, não é? Mas, desculpa... Desta vez não consigo.

Dos postais de Natal.


Aposto que hoje está tudo com a caixa de mensagens a bombar e não faz mais nada o dia todo além de ler blogues e ver e-mails a entrar em catadupa com postais de Natal deste e daquele, do fornecedor dos toners, da empresa a quem compramos o café, daquele parceiro com quem não trabalhamos há anos mas que ainda não nos tirou da base de dados, dos clientes - dos chatos e também dos bons - , de gente que não fazemos puto de ideia quem seja, daquele catering a quem pedimos uma proposta em 2008 e depois, no meio daquela traquitana toda, também tombam alguns caseiros, daqueles que nasceram porque houve um dia alguém que se lembrou de dizer: "Eh, pá... espera lá... para quê pagar a um designer, se hoje em dia há aquelas cenas do PhotoScape e aqueles filtros do Pixl-r-matic que fazem coisas impecáveis praticamente com o mesmo efeito?".
 
E depois o pessoal vai na conversa e saem lindos que só visto.
 
Há pessoas que não têm noção do ridículo, não é? 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Knockout.


Pai Caco: Olha lá, então como vai ser este ano o Natal?

Miss Caco: Então, é o inverso do ano passado... Passei com vocês o 24, não foi? Este ano é o 25.

Pai Caco: Hummm.... Mas como vai ser?

Miss Caco: Como vai ser, o quê? Levo os meninos no meu carro. Estou articulada também com eles. Dia 24 ficam no pai e 25 vêm connosco (referindo-se a sobrinhos Caco).

Pai Caco: Não é isso... pergunto se vai ser na mesma na aldeia...

Miss Caco: Claro que vai.

Pai: É só porque este ano não está o avô....

(...)

Foda-se. Podia ser atropelada por um camião TIR, ficar debaixo das Torres Gémeas, ser engolida por um terramoto ou tudo isto ao mesmo tempo que nada me deixaria tão arrasada como o que acabei de ouvir.

Eu sei... foda-se pai, eu sei. Este ano não há o avô.

O melhor extra do mundo.

 
aqui falei da paixão que tenho pelo meu carro, bem como da perfeita imbecilidade que foi comprá-lo.
 
Ainda assim, reconheço que tem duas falhas relativamente graves: não tem leitor de CD´s e não tem aquelas ceninhas que apitam quando estamos a aproximar-nos de outras cenas, coisa que Deus sabe o jeitaço que dá, sobretudo para quem é perita em estacionar, desde que seja de frente e com espaço suficiente para dois camiões do lixo e uma betoneira.
 
Bom, não tem esses dois extras, é certo, mas tem um que vale por esses e um par de botas. Senão vejamos: ele há dinheiro que pague sair de casa numa manhã fria de inverno, com olheiras até aos pés, sentarmo-nos no banco gelado, ligar o rádio aos berros, rezar aos anjinhos para dar esta música, carregar lá num botãozinho milagroso (o ponto G do meu carro) e cinquenta segundos depois ter o rabo aquecido?
 
Não. Não há.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Dear Santa,


Só falta acrescentar "e modéstia".

Só no caso de terem esquecido...

 
... Natal também é tempo de:

- fingir que aquelas meias brancas que a tia Fátima insiste em oferecer desde que deixámos de ser crianças eram tudo o que precisávamos;

- apetecer mandar os afilhados pela janela fora e só ir buscá-los no Carnaval de 2016;

- fazer de conta que não se sente a tensão com a sogra provocada pela tese em torno do tempo ideal de cozedura do bacalhau;

- discutir pela enésima vez com a ex-mulher por causa de quem fica com os miúdos no almoço de Natal;

- passar a noite de consoada a mandar sms´s à amante enquanto, para disfarçar, nos queixamos que o pessoal do escritório não nos larga.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O meu primeiro beijo.


"Ah e tal, mas porque raio vens falar disto agora?". Pois, de facto, por razão nenhuma. Era uma cena que tinha aqui alinhavada no telemóvel e que decidi falar hoje porque a minha memória sei eu bem a desgraça que é, por isso, mais vale guardar aqui esta recordação já do que esquecê-la nos meandros do meu cérebro complicado para todo o sempre.
 
Miss Caco deu o primeiro beijo tarde. Falo de beijo à séria, daqueles com língua, embora não tenha passado pela fase intermédia dos bate-chapas. Na primária, sobrevivi à paixão pelo Zezé das sardas, pelo Paulo Jorge dos olhos verdes, pelo Pedro que vivia no rés-do chão, tinha cabelo negro e muitos Legos, pelo Vicente que entrou na escola a meio do ano e que me fazia corações no caderno. Todos sem um único beijo. Tudo platónico.
 
Miss Caco vai para o ciclo com nove anos. Apaixona-se pelo Eduardo. Moreno, mais velho, usava um kispo verde de penas que lhe ficava a matar e Miss Caco passava os recreios a babar enquanto o via nas aulas de andebol. Nem um único beijo. Tudo platónico.
 
Apesar de Miss Caco ser tímida, ainda assim, tinha vários pretendentes: o Rui, um dos gémeos de quem todas as miúdas gostavam e que se declarou na lição nº 100 de português; o Vasco, loirinho que era um doce de rapaz, e o Pedro, o rapaz que me esperava sempre à saída da escola para me acompanhar no trajecto a casa.  Todos sem um único beijo. E Miss Caco sem lhes passar cavaco.
 
Chegou o liceu. Aos 14 anos, Miss Caco apaixona-se pelo punk da escola. Sim, era punk, daqueles com calças pretas elásticas, botas militares e blusão de couro com taxas, cabelo rapado dos lados e uma melena a cair na frente dos olhos. Loiro. Era punk mas um doce de rapaz. Tinha outra incongruência. Chamava-se Fifi. Duvido que conheçam muitos punks meigos chamados Fifi. 
 
Adiante. O punk Fifi namorava. Com várias. Tinha muito sucesso. Era o mais popular. Entrava no liceu e o mundo parava. Cantou uma música dos Xutos na festa de Natal e o pavilhão gimnodesportivo veio abaixo. Miss Caco continuava tímida, mas gostava dele.
 
Eram conhecidas as festas que dava em casa quando os pais não estavam. Toda a gente sabia que era habitual ficar sozinho aos fins de semana com os irmãos e aquelas festas eram só para gente cool, com pinta. Ouvia-se música aos berros, dançavam-se slows e havia gente que até fumava, imagine-se. Miss Caco ouvia falar deste acontecimento e ficava a imaginar o que por lá se passaria.
 
A certa altura, começou a aperceber-se de uma certa troca de olhares comprometedora. Sobretudo quando o pessoal se juntava na cantina ou à entrada do campo de voleibol. Certo dia, o punk Fifi perguntou a Miss Caco se queria ir à festa no fim de semana seguinte. Miss Caco tremeu. O mundo desabou e ficou sem chão. "Ir à festa, como?!? Tipo, pegar em mim e aparecer lá?!". Tensão no ar. Daquelas de mandar abaixo o quadro da luz. O convite não era à toa. Miss Caco percebeu que o punk Fifi estava possivelmente a dar-lhe troco e que aquilo não iria acabar com os dois sentados no sofá a comer pipocas e a ver um episódio da Casa na Pradaria.
 
Mas Miss Caco tinha um problema para resolver. E dos sérios: 14 anos feitos há mais de meio ano e ainda não tinha dado um mísero beijo. Um bate-chapas sequer. Como é que ia à festa do punk Fifi, onde possivelmente a coisa se daria, sem ter treinado antes? Isso nunca poderia acontecer. Jamais. Era urgente resolver este problema. Miss Caco não podia ser apanhada desprevenida e correr o risco de andar ali feita trenga, aos papéis. Está bem que vemos na televisão, mas não é a mesma coisa.
 
Mestre no desenrascanço, qualidade que ainda hoje se mantém, tratou de saber se havia alguma festa antes desse fim de semana. Sim, o Roscas faz anos. Amanhã. Vai haver festa com direito a slows e cenas. Não há que olhar para trás. É agora ou nunca.
 
Miss Caco foi. Primeiro slow. Acho que era o "I just call to say I love you" do Stevie Wonder, mas por mim até podia ser o Natal dos Hospitais. A missão estava delineada. O Vasco loirinho avança. Ok, vamos lá. Tem de ser. O rapaz até é giro e no fundo merece que até gosta de mim desde o ciclo. Primeiro abraço, os rostos encostam-se. Ok, é agora. O Vasco investiu e Miss Caco deixou. Avaliou tudo milimetricamente. Ok, então primeiro encostam-se os lábios devagarinho, depois mais um bocado, beijinhos no pescoço, os lábios outra vez... pode-se juntar a língua e dar ali alguma envolvência... o resto é como nos filmes. Ok, vendo bem, até é fácil.
 
Acaba a música. Miss Caco vai para casa. Vasquinho fica a arder sem perceber o que se passou ali. Se sonhou ou se aconteceu mesmo. Já está. Afinal é simples. Acho que não vou passar vergonhas.    
 
O fim de semana chegou. Primeiro slow. Punk Fifi investiu. Miss Caco deixou. Foi o beijo mais calculado e estrategicamente planeado da minha vida. Quase com direito a régua, esquadro e nivelador. Nem sequer da música me lembro, tamanho era o foco naquilo que estava a fazer. Miss Caco não fez por menos. Ok, é isto mesmo. Ninguém diria que é quase a primeira vez.

Pode não ter sido muito romântico, é certo, mas a verdade é que saiu perfeito.